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return to montauk
rosas
innersmile
O realizador Volker Schlondorff que fez Return To Montauk já não será porventura o enérgico e provocador autor de filmes como The Tin Drummer ou Swann in Love. Mas isso não retira qualidades ao filme, a história de um reencontro entre dois antigos amantes, ambos alemães, um escritor e uma advogada high rank, que acontece em Nova Iorque, onde ela vive e trabalha, e onde ele se encontra de passagem, a promover o seu mais recente livro que, em parte, ficcionaliza essa antiga paixão.

Além de realizar, Schlondorff partilha a autoria do argumento com o escritor irlandês Colm Tóibín, um dos meus escritores favoritos. E parece inegável que esse encontro dá muito o tom do filme, que, no ritmo e no tipo de narrativa, faz lembrar de forma inequívoca os livros de Tóibín, bem como o filme Brooklyn, baseado num dos seus livros.

Por vezes o filme parece demasiado centrado no escritor e nas suas idiossincrasias, no modo blasé como se relaciona com as outras personagens, e até num certo cinismo suave como parece encarar esse relacionamento. Parece-me que, de um modo geral, os escritores não terão uma ideia muito digna da sua profissão, e por isso, sempre que usam um como personagem, o retrato não é lá muito esplendoroso.

No entanto o final do filme vem, como o vento forte da praia, varrer de forma emocional esse detachment do escritor, deixando-o literalmente colado ao chão, com a força avassaladora de quem, até por causa dele, viveu de facto emoções vivas e violentas, ao contrário das projectadas na emoção literária.

Para além da história e da narrativa, Return to Montauk tem pormenores que o tornam num filme charmant. Por exemplo, a presença de Niels Arestrup ou de Bronagh Gallagher em papeis breves mas impressivos. Ou o cameo do próprio Colm Tóibín, numa cena nas escadarias da NY Public Library. Ou uma canção de Bob Dylan ouvida no rádio do carro, com o seu refrão obsessivo: I want you, I want you. Ou, o meu preferido, a personagem do escritor deitado na cama do hotel da praia a ler o M Train, o livro de memórias da Patti Smith.
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