Previous Entry Share Next Entry
fresh-air fiend
rosas
innersmile


“Another important and old-fashioned fact was that in the Africa I knew, and even the South East Asia I knew, local people did note think of solving problems by uprooting themselves and emigrating. They accepted that they would live and die in their own country, indeed in the village where they had been born. They did not have relatives or families elsewhere. A person who is in a country for life tends to see himself or herself as part of a community, with responsibilities. Because fleeing was not an option, the people I knew had a well- developed sense of belonging. They took the long view: they had been there forever, the land was theirs, they were part of a culture, with a long memory, deep roots, old habits and customs.”

Paul Theroux, FRESH-AIR FIEND (Penguin, no Kindle)

Gosto muito dos livros do Paul Theroux, pelo menos dos livros de viagens, de que já li uns poucos. Comecei há poucos dias a ler Fresh-Air Fiend, mais um volume que reúne diversos escritos anteriormente publicados em vários sítios, nomeadamente em revistas de viagens, no seguimento de Sunrise With Sea Monsters, que li há uns anos

O Theroux pode ser um bocadinho irritante, ele cultiva, parece-me, uma certa pose de mal-disposto e resmungão, e até de uma certa arrogância. Mas, acho eu, ao menos não cultiva o péssimo defeito do paternalismo, daquela atitude um pouco neocolonial de achar que as pessoas indígenas são um pouco naives ou infantis. A sua arrogância é mais naquele sentido de que acha que tem sempre razão, é muito opinativo e acha que a sua perspectiva e a sua visão é que são as correctas, e que todos os outros cometem um erro qualquer.

Mas aprecio-lhe o sentido de humor, a capacidade de observação, mas sobretudo a escrita, a sua elegância e fluência, o vívido das descrições, a vocação narrativa. E há uma outra característica ainda mais relevante: o tipo “fala” comigo, comunica, diz-me coisas, põe-me a pensar, desafia-me. Não é o tipo de escritor que me embala e me conduz, ele interpela-me e espevita-me.

Este livro é, naturalmente, muito desequilibrado, devido à diversa proveniência dos textos. Há alguns, um pouco aborrecidos, em que o Theroux se limita a dar opiniões acerca de tudo, e as suas opiniões nem sempre são as mais razoáveis e sensatas. Mas em relação à maior parte dos textos, estou a ler e tenho de interromper, voltar atrás e ler de novo, pôr-me a pensar sobre o assunto. Não é que seja lapidar, aliás como é natural um tipo que gosta de provocar e de controvérsia.E se é verdade que em sempre concordo com o que ele afirma, o ponto é que consegue tirar-me do meu conforto mental. Como acontece com aquele trecho ali em cima, que não deixa de surpreender num escritor que faz da errância e da viagem, um modo de vida.

?

Log in

No account? Create an account