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Aqui há uns dois ou três verões vi, nas sessões ao ar livre do cineclube (tenho muitas saudades de ver os bons filmes do cineclube, mas à noite estou demasiado cansado para sair), uma das comédias mais famosas de Jerry Lewis, The Ladies Man, que achei um prodígio de realização de comédia, mais até do que os próprios gags do filme.

E acho que nessa ocasião escrevi aqui que na minha infância não era grande fã do Jerry Lewis, para quem só comecei a olhar com atenção, depois do filme The King of Comedy, do Martin Scorsese, um filme que eu adorava rever. Não me lembro de ter visto muitos dos filmes de Lewis nos seus anos de maior sucesso, nas décadas de 50 e 60, mas hoje em dia, graças à internet e ao YouTube, podemos ver muitas cenas desses filmes.

O Jerry Lewis morreu neste fim de semana, e o facto de ter mais de 90 anos e de há muito estar afastado do cinema e do show bizz, pelo menos no plano internacional, faz com que, suponho, não haja muita gente a lembrar-se dele e da sua comédia. No entanto, para os cultores do humor no cinema, Lewis é tão relevante como os maiores dos mestres, como Chaplin ou Buster Keaton.

E mais do que as caretas e a maleabilidade do corpo (o Jim Carrey é um distinto cultor do tipo de comédia de Lewis), a mim o que sempre me entusiasma quando me ponho a ver os clips do YouTube com cenas e gags dos seus filmes, o que impressiona na sua comédia é, desde logo, o sentido do tempo e do espaço, a forma como ele domina o tempo do gag e como ocupa o espaço, em particular do ecrã, a noção de que está a trabalhar para ser visto pelo ecrã.

A outra coisa que me impressiona na comédia de Jerry Lewis é que, tal como acontece com esses grandes mestres do humor, por detrás da comédia, ou melhor, dentro dela, no seu centro, está o drama, o sentimento de desadequação ao mundo, de desenquadramento e inaptidão, o ser humano nos seus aspectos mais frágeis e vulneráveis. E é o humor que dá força a essa fragilidade, que torna invencível essa vulnerabilidade.

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