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Itália Práticas de Viagem é um livro que nos seduz: pela erudição e pelo humor, pela relação simultaneamente apaixonada e cerebral do autor com o seu objecto, pela elegância da escrita. Com esta obra, António Mega Ferreira como que estabelece um paradigma sobre o que deve ser um travelogue, culto e informado. Claro, passa ao lado das futilidades, das aventuras exóticas, dos lugares da moda, e não tem vocação para ser guia de viagens.

Por todas as razões apontadas acima, o livro de Mega Ferreira fez-me lembrar muito os da minha escritora de viagens favorita , a Jan Morris. A mesma elegância, a ironia discreta (menos em Mega do que em Morris, todavia), e a erudição que se disfarça de puro deleite de fruição. Aliás, o nome de Jan Morris é evocado no livro e só tenho pena que Mega Ferreira, na nota de rodapé respectiva, tenha deixado passar a ideia de que o livro Veneza é da autoria de James Morris. Pode ter sido, mas hoje é, como resulta da própria edição portuguesa que é citada, uma obra de Jan. Pode parecer um pormenor de somenos, mas creio que a própria autora teria preferido que assim fosse.

É fácil dizer que este livro é fundamental para todos os que conheceram ou pretendem conhecer a Itália. Mas eu, que nunca estive no país (a não ser uma brevíssima tarde passada em Taormina, na Sicília) e que com muita probabilidade nunca visitarei, mesmo assim encantei-me com a obra. Mesmo não conhecendo, é estupendo visitar a Itália através do olhar e da escrita de António Mega Ferreira. Mas, lá está, comigo passou-se o mesmo com o livro de Jan Morris: mesmo nunca tendo estado em Veneza, fiquei fascinado com a viagem que fiz pela mão e pela escrita da escritora galesa.

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