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natureza morta
rosas
innersmile
Natureza morta

Ofereces-te inteira a quem te
contempla, mas só te percebe
quem te viveu.

E se permaneces imutável aos
olhos de quem se suspende, por
dois minutos, a contemplar-te,

És a memória viva e sempre
transformada dos dias em que o
fogo te acendeu e consumiu.

E no teu coração pulsa ainda,
sempre nova e diferente, a narrativa
desses momentos invisíveis de um
incêndio sem controlo.


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Este poema foi escrito, obviamente “under influence”, após a leitura do capítulo O Olhar de Morandi, dedicado à pintura de Giorgio Morandi, no livro Itália Práticas de Viagem, da autoria de António Mega Ferreira.

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Um poema que pode conter múltiplas significâncias, sem dúvida: como todos os mais belos desses, vai (também) do olhar do leitor. Parabéns.

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