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paris can wait
rosas
innersmile
Claro que não podemos ignorar que Paris Can Wait foi realizado por Eleanor Coppola, a mulher de Francis Ford, mãe de Roman e Sophie. Ou seja, uma veterana com mais de 80 anos de idade cuja vida profissional foi de alguma maneira sempre construída à volta do cinema, em particular do cinema feito pelos outros membros da sua família. E esse “respirar” cinema nota-se neste filme simples, e modesto, a quem encanta sobretudo a forma como uma história é contada, e o seu potencial para ser contada por imagens em movimento.

Trata-se de um road movie que conta a viagem de automóvel que a mulher de um produtor de cinema americano é obrigada a fazer na companhia de um homem francês, associado profissional do seu marido. O filme corre todos os clichés que é possível convocar do género comédia romântica, mas Eleanor Coppola tem o talento para os evitar descaradamente, ou pelo menos para os abordar de forma sofisticada.

Para além do poder evocativo das paisagens e dos restaurantes, e de um argumento simples e ligeiro, o filme de Eleanor Coppola tem dois grandes méritos: o francês Arnaud Viard que empresta ao seu personagem um certo charme europeu e a dose de ambiguidade suficiente para manter o interesse da trama, e sobretudo a enorme Diane Lane, uma actriz maravilhosa a brilhar num papel feito propositadamente para uma actriz brilhar. É ela que dá élan ao filme, e é por ela que passamos o filme todo a achar que sim, que Paris pode mesmo esperar enquanto nos deliciamos com esta viagem.

Só mais uma notinha para recordar que nos anos 80, quando tinha pouco menos de vinte anos, a Diane Lane protagonizou três filmes de Francis Coppola: Cotton Club, e a dupla de filmes The Outsiders e Rumble Fish, dois filmes de culto, baseados em livros da escritora S. E. Hinton, e que tentavam de alguma maneira capturar as complexidades do espírito da juventude. Para além disso, ambos os filmes contavam com elencos alargados de jovens actores, que constituíam as grandes promessas, algumas delas realizadas, do cinema americano do futuro.
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SE Hinton e esses livros... tenho-os, esses e mais dois, tex e tempos de juventude. impressionaram-me, claro, os dois primeiros que mencionas, os marginais e juventude inquieta, que reli várias vezes ao longo destes mais de 20 anos desde que os comprei, nas primeiras feiras do livros de lisboa que frequentei desde que vim morar para cá.

Eu li estes dois, na altura em que os filmes saíram. Edições do Círculo de Leitores, capas duras e tal. Mas não os vejo há muito tempo, será que estão cá por casa?

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