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o ministério da felicidade suprema, jan morris
rosas
innersmile


Comecei a ler O Ministério da Felicidade Suprema, segundo romance de Arundhati Roy, duas décadas depois do sucesso imenso que foi O Deus das Pequenas Coisas, com franco entusiasmo, completamente rendido ao relato da vida de Anjum, uma personagem fascinante.

No entanto, à medida que me aproximei da metade do livro o entusiasmo foi morrendo e foi penoso chegar às últimas páginas. Depois de Anjum, nada mais me prendeu ao livro, nem me consegui mover pelos destinos de personagens como Tilo, Garson Hobart ou Amrik Singh. E mesmo o realismo mágico, que tão bem servira a narrativa de Anjum, parece apenas torná-la menos clara durante a maior parte do livro.

Um dos aspectos mais instigantes do livro, mas que se revela também uma das suas fragilidades, é o carácter fortemente politizado da narrativa. O explosivo antagonismo entre a Índia e o Paquistão, entre o hinduísmo e o islamismo, a independência de Caxemira e a repressão violentíssima do governo indiano em relação às populações muçulmanas, constituem o pano de fundo onde todo o romance se insere, dando testemunho de uma causa política que tem cativado a atenção e as energias da autora nas últimas décadas.

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Entretanto, aproveito a boleia só para dar notícia da edição da tradução portuguesa, edição da Tinta da China, de Cunundrum, de Jan Morris. Li o livro em 2012, quando conheci a autora através de Veneza e, indo investigar um pouco, fiquei muito curioso em conhecer melhor a sua vida. A versão portuguesa leva o título de Enigma, ao qual foi acrescentado o subtítulo História de uma Mudança de Sexo. Acho que era escusado, apesar de ser verdade e de, de alguma maneira, perceber a intenção do editor ao acrescentar este explicativo.

A Tinta da China tem estado a publicar obras de Morris, sobretudo na colecção de literatura de viagens, onde além de Veneza, também já publicou duas outras obras: Espanha e Hav, sendo este um travelogue fascinante sobre um país inventado.

Em 1974, Morris publicou as suas memórias, ou mais exactamente a história da sua vida vivida no género errado, pois desde muito jovem teve a percepção de ter nascido com o sexo trocado, e que culminava no momento em que, em inícios da década de setenta, fez a primeira operação, sob condições muito complicadas, em Marrocos. Trata-se de um livro excepcional, muito bem escrito, com imenso sentido de humor. Li, é claro, no inglês original, foi a minha única experiência de ler uma obra da autora em inglês, e foi uma experiência muito boa, pois a sua escrita é ainda mais elegante e rica se lida no seu idioma. Mas gostei tanto, que estou seriamente a ponderar ler novamente o livro, agora na tradução da Tinta da China. Talvez até como forma de agradecer à editora o facto de publicar os livros de Morris em Portugal e como incentivo a que prossiga com outras obras da autora.


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Diz: é verdadeiro que o Kindle não mostre as capas dos livros adquiridos de outra maneira além da Amazon? Tenho tido esse revés (e nesta semana devo experimentar o Calibre a ver se mo resolve)...

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