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três travestis
rosas
innersmile
Eu sei que já venho atrasado uns dias para o dia do orgulho gay, e que já passou o tempo das paradas e dos arraiais. Mas, que fazer, sou assim, sempre atrasado. Andava eu à procura de um clip de uma canção do Caetano para deixar aqui durante o fim de semana, a entreter a rede, e também a assinalar este mês em que os gays, recordando Stonewall, dizem que não há razão para ter vergonha.

A canção que eu queria encontrar era, claro, o Amor Quase Discreto, que o Caetano gravou, que eu conheça, no disco Cê Ao Vivo, e que é uma daquelas letras, quer dizer: um daqueles poemas fabulosos do Caetano, cheios de significado e de significados, que brincam com as palavras e encerram muitos sentidos e múltiplas direcções. E que começa logo de forma completamente arrebatadora: “Talvez haja entre nós o mais total interdito”.

Mas como acontece muitas vezes, a gente anda à procura de uma coisa, e encontra outra. E desta vez encontrei uma canção do Caetano que não conhecia de todo, e ainda por cima uma canção bem antiga. Pelo que li (no blog http://365cancoes.blogspot.pt/, que vale a pena conhecer), a canção terá sido escrita em 1977 para o Ney Matogrosso, mas só foi gravada em 1982, pela Zezé Motta.

O Caetano recuperou a canção durante a época de Obra em Progresso, apresentando-a nalguns shows desse projecto, nomeadamente como comentário a um escândalo que, à época, envolveu o futebolista Ronaldo com três travestis. Eu segui o blog de Obra em Progresso, mas não me lembro de ter visto o clip com a canção (este, que vai aqui em baixo). O projecto Obra em Progresso resultou na gravação do disco compacto Zii e Zie (que inclui Menina da Ria, uma canção que Caetano prometeu escrever durante um concerto ao ar livre em Aveiro, a que assisti). E também li algures que Caetano cantou Três Travestis como bis na apresentação ao vivo desse disco, mas não tenho ideia dele ter sido publicada no cd Multishow ao Vivo de Zii e Zie.



"Três travestis
Traçam perfis na praça.
Lápis e giz
Boca e nariz, fumaça.

Lótus e liz
Drops de aniz, cachaça
Péssima atriz
Chão, salto e triz, trapaça

Quem é que diz?
Quem é feliz?
Quem passa?
A codorniz
O chamariz
A caça

Três travestis
Três colibris de raça
Deixam o país
E enchem Paris de graça"


Gosto muito da canção, e em particular da letra, e das suas rimas repetidas em -is e -aça. E sem querer ser muito umbiguista, lembrei-me de um poema que fiz com letras para fados (e que está no livrito editado pela Index ebooks, Fados) e que também é feito com rimas em -iz e -ia. Neste caso, o poema foi escrito para uma pessoa em concreto, e a rima em -iz pretende evocar, sem contudo o mencionar, o nome dessa pessoa a quem é dedicado.

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