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dias felizes
rosas
innersmile


Hoje é o dia de aniversário do meu pai. Faria, se fosse vivo, 88 anos de idade (nasceu em 1929). Conviver com as nossas memórias, e eu já tenho idade para começar a ter mais memórias do que projectos (o que me parece, em todo o caso, uma coisa óptima), é um processo de aprendizagem. Tal como o é, conviver com as nossas emoções e com as memórias das nossas emoções. A nossa relação com aqueles que amámos muito e partiram, tal como a nossa relação com as nossas memórias, não é uma relação de tristeza, nem sequer sustentada unicamente na saudade, na nostalgia. Umas vezes é muito doce, outras é um pouco amarga, e por vezes é mesmo conflituosa. A tristeza que vem com a saudade intensa, com a falta que nos fazem, com o desamparo que sentimos, muitas vezes, a maior parte delas se calhar, convive com uma alegria imensa, com a satisfação de que fomos felizes, e que aqueles que amámos nos fizeram felizes mas que também foram felizes por nossa causa, porque nós os fazíamos felizes. Estes dias que, na nossa mente e nos nossos corações, são dedicados àqueles que amámos, são sempre, como foram sempre, como sempre nos habituámos a que fossem, dias de festa.

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Gostei muito do que escreveu.
Desejo-lhe uma boa noite.

Muito e muito obrigado pelo seu comentário, Maria. Desejo-lhe um óptimo dia.

Também gostei muito - e confesso um medo grande de quando esses meus dias (sem os meus) chegarem... Talvez aqui retorne, então, em busca de consolo.

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