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alegre e o prémio camões
rosas
innersmile
Confesso que me chocaram algumas reacções ao anúncio da atribuição do Prémio Camões a Manuel Alegre. E não me refiro às habituais bocas “políticas” no facebook a propósito do passado antifascista de Alegre, ou do facto de ser um histórico do Partido Socialista, ou mesmo por ser um dos símbolos do regime que saiu do 25 de Abril. Isso não passa da espuma das redes sociais que, para ser franco, dizem mais acerca do povo a que pertence quem as manda do que ao povo a que pertencem os seus destinatários (às vezes pensamos que é o mesmo, mas a maior parte das vezes não parece!)

Refiro-me antes às bocas dos chamados literatos, que constestaram a atribuição do prémio por razão do valor da poesia de Alegre, ou da falta dele. Não cito nomes, claro, há muito que aprendi a fugir das polémicas, mas cheguei a ler num blog que a atribuição do prémio era uma má notícia e uma vergonha.

Não sou admirador da poesia de Manuel Alegre. Nunca fui um seu leitor. Conheço, como é evidente, em particular a poesia do tempo e de cariz antifascista, nomeadamente a do livro Praça da Canção, que tenho e li. E por muito que se não goste da poesia de Alegre, há de reconhecer-se que pelo menos alguns dos seus poemas têm lugar no cancioneiro da poesia portuguesa, mesmo que seja num capítulo específico desse cancioneiro, o da luta contra a ditadura e da guerra colonial.

É evidente que a atribuição deste prémio a Manuel Alegre tem um peso e um significado institucional. E suponho que seja isso, se calhar até mais do que questões de gosto, que anima os seus detractores. Sentirem-se assim uma espécie de Almada em modo de manifesto anti-Dantas. Mas a maledicência, o comentário soez, a necessidade de deixar explícita a demarcação, parecem aproximar bastante os literatos do nível das polémicas do facebook ou das inenarráveis páginas de comentários dos jornais on-line.

Como disse, não sou apreciador do génio literário de Manuel Alegre, quer em prosa quer, de forma mais significativa, na poesia, onde o seu lugar é mais reconhecido. Mas de alguma maneira, revejo-me e identifico-me com uma literatura que tem um poeta como Manuel Alegre no seu cânone.
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bem, graças a ti conheço mais umas cenas do arco da velha. sabia do prémio, claro, pelas gordas dos jornais online, mas não me debrucei no assunto e muito menos na polémica.
estas coisas apimentam os nossos dias cinzentos, ah, a mesquinhez do ser humanozinho.
agora vou fazer festas aos meus tigres :P

Eu achei esta polémica de um mau gosto. Não me revejo na literatura dele, mas não me passaria pela cabeça que isso fosse razão para não lhe darem o premio :-)

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