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moonlight
rosas
innersmile
Moonlight, realizado por Barry Jenkins, é um filme em modo de balada que, em três tempos, nos conduz através de uma jornada de coming-of-age, em que parece que todas as dificuldades e obstáculos parecem acrescentar à já por si complexa viagem. Mais do que uma simples história de bullying, é muito mais do que isso, uma história da perturbadora perplexidade com que olhamos o mundo quando tudo nele parece correr contra nós.

Não posso, evidentemente, dar testemunho do que é crescer sendo um rapaz negro num ambiente demasiado hostil. Mas sei bem o que é crescer, passar anos, sem nunca encontrar o ombro certo onde possamos pousar, íntegra, a nossa cabeça. E poucos filmes como este nos dão testemunho dessa radical solidão, uma solidão tão intensa que aos poucos começa a ser ela a própria lente com que espreitamos o mundo e os outros.

Barry Jenkins escolhe contar a sua história em três partes, e uma das chaves do sucesso do filme é o modo como em cada um desses momentos a personagem, o seu desamparo, a sua densidade, a perplexa intensidade do seu olhar, depende do corpo de cada um dos três actores que lhe dão rosto: Alex Hibbert, Ashton Sanders e Trevante Rhodes.

De resto, a maneira como o olhar da câmara se demora nos rostos e nos corpos dos seus actores, é outra das razões porque chegamos ao fim do filme com a sensação de que acabámos de viver uma experiência muito íntima e pessoal. Um filme raro, raríssimo, no actual tráfego do cinema de indústria, e que por isso merece, e pede, um olhar também ele íntimo e demorado.
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Senti o mesmo que aqui descreves mas não tenho a tua habilidade para transformar esse sentimento em palavras.
Muito lindo este teu texto.
Fez-me rever por minutos o que vi no filme.
Obrigado.
Pedro

Muito obrigado pelo comentário. É bom partilhar as coisas de que gostamos.

tal e qual, eu pensei em como ele acertou com os actores e no o olhar de cada um deles, da criança ao homem, conseguia transmitir.
excelente.
adorei ouvir o trecho do Caetano Veloso.

Foi uma surpresa a cançao do Caetano. Fez me lembrar o habla con ella

Fui ontem ver o filme. Pois emocionei-me muito, porque sei que há vidas assim. O mundo será sempre cruel para alguns.
Bj, lidia

Obrigado Lidia. A tua resposta emotiva ao filme, toca-me. Bj grande

Fui ontem ver o filme. Pois emocionei-me muito, porque sei que há vidas assim. O mundo será sempre cruel para alguns.
Bj, lidia

este filme abalou-me, por muito daquilo que falas (tão bem) aqui.

É um filme forte e muito certeiro. Espero que haja muita gente a vê-lo e a deixar-se tocar por aquela história.

Edited at 2017-02-20 08:49 am (UTC)

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