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adriana calcanhotto
rosas
innersmile
É evidente que não há dois concertos iguais. Já me aconteceu assistir a espectáculos seguidos do mesmo artista, com o mesmo alinhamento, e mesmo assim eram diferentes, havia sempre qualquer coisa que os tornava únicos, nomeadamente o público, é verdade que o público também faz os concertos. Até nós próprios, que não estamos exactamente iguais mesmo assistindo ao mesmo concerto duas vezes.

Mas isso em relação à Adriana Calcanhotto é ainda mais verdade. Já vi vários concertos seus, e cada um deles é diferente. Há sempre um conceito, único, a dominar e a dar estrutura ao show, e que vai desde o alinhamento aos elementos cénicos, e muitas vezes à própria artista, à maneira como se apresenta, o vestido, o corte do cabelo, os gestos.

‘Das rosas’ começou por ser um recital que Adriana e Arthur Nestrovski fizeram na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra em dezembro de 2015. O conceito foi enriquecido, com novas explorações musicais e novos envios e referências, e é agora apresentado num concerto que anda à volta de temas como as ligações entre o Brasil e Coimbra, ou o papel da canção, especialmente da canção popular, como meio de expressão poética.

Há textos, cantados ou lidos, de autores, entre muitos outros, que vão de Dom Dinis a Vinícius de Moraes, Chico Buarque ou Caetano Veloso, passando por Mário de Sá Carneiro e Fernando Pessoa, e poetas brasileiros (ou poetas do Brasil mais correctamente) que passaram por Coimbra, como Gregório de Matos ou António Gonçalves Dias.

A primeira parte do concerto é assegurada por Adriana a solo, a segunda com Nestrovski na guitarra clássica. Para além da música e da poesia, o concerto tem ainda uma forte componente didáctica, que me pareceu não apenas útil, para contextualizar os temas, mas também desafiante e estimulante. A conversa em torno de Cajuína, do Caetano Veloso, nomeadamente sobre a temática e a origem da canção, e que eu já conhecia parcialmente por ser uma das minhas canções favoritas de Caetano, foi, para mim, um dos momentos mais felizes do concerto.

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O trânsito da Adriana entre música, poesia, artes plásticas e cinema é tão rico e estimulante! Suas canções são objetos palpáveis encorpados nessa pluralidade de tantas fruições. O álbum de 1994, "A Fábrica do Poema", apurou o que ela já vinha fazendo nos dois anteriores, e apontou para o leque de caminhos que, a partir de então, ela tomou e retomou e transtornou.
E o teu texto, meu caro, nos traz um bom bocado do sabor dessa experiência. Forte abraço!

acho que esse álbum, A Fábrica do Poema, foi o meu primeiro disco da Adriana. um amor que chega até hoje :)
como referes, ela é muito estimulante e inspiradora. não são todos os artistas que têm essa capacidade de inspirar os outros a criar também

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