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la la land
rosas
innersmile
Por mim a coisa ficava resolvida, entregava-se o oscar a La La Land e prosseguíamos com as nossas vidas. Quer dizer que La La Land é o melhor filme? Não. Só para não me esforçar à procura, Silence, o filme anterior que vi, é um filme muito mais sério, entre aspas, que formula e sugere questões mais importantes, outra vez aspas.

Mas La La Land começa por ter o mérito de ser sobre o próprio cinema, especialmente sobre Hollywood e a sua máquina de fazer estrelas, um tema recorrente no cinema e na comédia americana. É um filme que tenta ultrapassar uma certa temporalidade, fazendo apelo a diferentes épocas e iconografias cinematográficas: nunca sabemos se o filme se passa na actualidade (há lá um Prius), se nos anos oitenta (os vestidos coloridos e as canções da pool party), se nos anos cinquenta (as gravatas e os sapatos do Gosling).

Depois é um musical, e um musical criado especificamente para o cinema, que se alimenta da própria tradição do filme musical, seja ela a de Gene Kelly, como na cena do pas de deux na estrada a seguir à festa, seja a do musical de Jacques Demy: é impossível não pensar em Les Parapluies de Cherbourg a propósito do estilo. E esta espécie de vocação de modernidade é ainda consagrada pela opção de fazer o filme em exteriores, escolhendo lugares iconográficos da memória cinéfila norte-americana.

Finalmente porque assume o tom fantasista do próprio cinema musical, que explicita logo no título: se o La pode fazer referência, óbvia, à cidade de Los Angeles, onde a acção do filme decorre e que é a cidade-pátria da indústria cinematográfica norte-americana, também lala land é uma expressão idiomática que significa viver numa terra de fantasia, ser completamente desajustado da realidade.

E entregue assim o Oscar a La La Land, é hora dos agradecimentos: Damien Chazelle, o realizador que o ano passado nos deu o extraordinário Whiplash (e que deu o Oscar de melhor actor secundário a J.K. Simmons, que aqui faz uma perninha). A Emma Stone e o Ryan Gosling têm o tom perfeito para as suas personagens e para o tom do filme, com a elegância própria dos dançarinos, mas denotando que treinaram muito para conseguirem fazer aquilo. Justin Hurwitz, o compositor responsável pela música do filme, em particular pelas canções.

Só mais uma notinha para dizer que há muito tempo que não me acontecia ver um filme e no final ter vontade de comprar novo ingresso para a sessão seguinte. É que não é só ver outra vez, é ver outra vez no ecrã grande da sala de cinema.
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eu não tenho visto todos os queria ver, falta-me disponibilidade: física, mental, energética, temporal... :)

não vi esse video, onde e como o poderei encontrar

aqui:

http://observador.pt/2017/01/25/como-o-filme-la-la-land-foi-buscar-inspiracao-a-outros-musicais/


oops, sorry pelo mau-jeito.

gostei do video. realmente quando estamos a ver o filme evocamos muitas cenas clássicas dos musicais.

vai buscar a resposta ao spam :/

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