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português de goa
rosas
innersmile
Fiquei comovido com as imagens e as reportagens que a televisão (e, já agora, o Expresso online, excelente) nos tem dado acerca da visita do primeiro-ministro António Costa aos antigos territórios portugueses na Índia. A recepção que os indianos de Goa lhe fizeram, a visita à casa na Rua Abade Faria, em Margão, o reencontro com os familiares. Mas sobretudo o orgulho que os goeses sentiram pela visita à casa da família daquele que eles consideram ser um dos seus mais ilustres filhos, talvez o goês que atingiu um cargo mais importante. Sim, para os goeses Costa é um goês.

Sou patriota, mas não sou patrioteiro, e não sinto particular orgulho em ser português. Quer dizer, creio que não sinto mais orgulho em ser português do que sentiria se fosse moçambicano, indiano, ou, só porque está aqui ao lado, espanhol.Ser português não me acrescenta mais, nem me torna especial. As únicas coisas que me dá, e muitas vezes em pouco, é, por um lado, uma certa vocação cívica em relação aos meus compatriotas, e, por outro, o sentido da responsabilidade pela cultura que os meus antepassados me deixaram.

Mas há ocasiões em que sinto forte orgulho em ser português, e uma delas é quando me confronto com a impressão forte que os portugueses meus antepassados deixaram nas terras longínquas por onde andaram perdidos, ou achados. Senti esse orgulho em Malaca, perante uma comunidade, pequena e pobre, que, contra tudo e contra todos, nomeadamente contra a indiferença dos portugueses de agora, continua obstinadamente agarrada a uma cultura, e até a uma língua, que eles usam para evocar um país e um povo do qual pouco ou nada conhecem mas com quem se julgam identificar.

E voltei a sentir esse orgulho agora, pela maneira como os goeses acolheram o nosso primeiro-ministro. Ou melhor, naquilo que Portugal deixou aos indianos de Goa, e que faz com eles se sintam orgulhosos por um dos seus descendentes, um dos seus filhos, ser quem é. É aí, nessa herança vaga e imprecisa, impossível de quantificar ou mesmo de concretizar, que reside o meu orgulho em ser português.
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Gostei muito do que escreveu.
Sendo eu um pouco indiferente a estas notícias
senti que podemos ver nelas algum interesse,
quando alguém as sabe abordar assim, talvez
com o coração.
Boa noite.
Maria Franco

muito obrigado. por vezes somos tocados mesmo nas coisas mais corriqueiras dos fait-divers.

Querido Miguel, adorei este "filme" da visita do nosso primeiro com os teus óculos da alma ligados. Há muito de Goa na nossa matriz de portugueses de Moçambique! Nao achas, Miguel?
Beijinhos grandes!
Madalena

banhámo-nos no mesmo Índico, Madalena. e comemos muito sarapatel, muito chacuti, quando éramos pequeninos :)
muitos beijinhos e saudades

😍😍

Teu orgulho foi muito bem justificado. E esse orgulho, assim do teu jeito, acho muito válido.

moçambicano, indiano, espanhol ou brasileiro, claro.
lembrei-me do Quadrado de Trancoso, no estado da Baía, onde também senti orgulho em ser português

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