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the milky road
rosas
innersmile
Apesar de não ser grande fã do cinema de Emir Kusturica, fui ver o seu último filme, The Milky Road, A Via Láctea, marcando um regresso depois de vários anos sem realizar. Tenho de confessar que dormi durante a primeira parte do filme, mas, apesar disso, gostei mais da segunda.

Resultando da articulação de três histórias que o realizador anuncia como verdadeiras, The Milky Road centra-se na guerra dos Balcãs, tendo como personagem principal Kostas, um leiteiro que, literalmente, tenta escapar por entre fogo cruzado para transportar o seu leite, tarefa na qual é ajudado por vários animais, desde o burro ao falcão, passando pela serpente, e que se apaixona pela bela italiana que ordenha o gado.

A primeira parte do filme, a que se centra nas idas e vindas do leiteiro, foi a que gostei menos, com aquele excesso de grotesco e violência que se tornou um pouco a imagem de marca do realizador. Na segunda parte do filme, Kostas e a bela leiteira, únicos sobreviventes do holocausto da guerra, tentam escapar à perseguição que lhes é movida por três soldados das SFOR (a força da Nato que interveio na guerra da antiga Jugoslávia, em nome das Nações Unidas). O filme assume uma vertente de realismo mágico, sendo já não apenas os animais mas a própria natureza, que decide ajudar os dois amantes, numa série de sequências em que a candura das personagens, a sua vontade de sobreviver apenas para se poderem entregar e viver o amor, convoca toda a espécie de recursos naturais, que jogam a seu favor.

Finalmente, perdida a companheira, o frade Kostas dedica os seus dias a transportar pedras para o local onde ela foi morta, construindo, aos poucos, pedra a pedra, um novo chão que sirva de homenagem ao seu amor, ao mesmo tempo que lhe dá um sentido à existência.
Como disse, nunca fui fã do cinema de Kusturica, mas sabe bem ver um filme (descontando os excessos grotescos, está bem de ver) que tem ideias, que tem personalidade, que tem uma intenção e uma vontade de cinema, que tem histórias para contar e que se encanta pela forma de as contar. The Milky Road tem o condão, pelo menos, de nos devolver uma certa alegria em ir ao cinema, e que é mais, muito mais, do que a mera procura funcionária de duas horas de distracção a que o cinema actual parece estar condenado.
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cinema

(Anonymous)
Na verdade cada vez menos, os filmes actuais me
despertam vontade de os ir ver, infelizmente.
Gosto muito de cinema mas também sou muito criteriosa
e só vejo o que em princípio me parece ter qualidade.
Ontem fui ver o filme português "ZEUS" e gostei bastante.
Recomendo.
Maria Franco

se tiver oportunidade, verei. fiquei curioso com o que li.

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