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nocturnal animals
rosas
innersmile
Já faz uma boa meia-dúzia de anos desde que o Tom Ford nos trouxe A Single Men, um filme belíssimo que, entre outras qualidades, tinha a de fazer uma excelente adaptação do romance de Chistopher Isherwood. O realizador regressa gora aos ecrãs com Nocturnal Animals, um argumento que ele próprio adaptou e que, se do ponto de vista narrativo parece bem distinto de A Single Man, partilha com esse filme um rigor e uma contenção que os transformam em puro êxtase visual.

Cruzando diversos planos narrativos, aquele que dá estrutura ao filme é um drama que conta a história de Susan, a dona de uma galeria de arte em plena crise matrimonial, que recebe uma encomenda postal com as provas do livro que o seu ex-marido está prestes a editar e que lhe é dedicado. A história que o livro conta abre novo plano narrativo, desta feita em forma de thriller. E intromete-se um novo plano que narra, em flashbacks rápidos, a história do casamento fracassado de Susan com o escritor Edward.

Os diferentes planos narrativos vão consolidando aos poucos aquilo que é uma história de vingança, mas cabe ao espectador estabelecer as pontes e ligações entre as diversas histórias, e apenas o final clarificará verdadeiramente o sentido do filme. Para além do deleite visual, o filme tem uma fotografia esplendorosa, e uma banda sonora cativante, que nos ajuda a imergir completamente no seu tom sempre um pouco arriscado. Além disso o trabalho da Amy Adams e do Jake Gyllenhaal dão a medida de um filme que é feito para actores, liderando um ensemble de excelentes interpretações, onde se destaca a magnífica personagem ao mesmo tempo tranquilizadora e perturbante do grande Michael Shannon.
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