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leva-me aos fados
rosas
innersmile
Nos últimos três meses tenho andado muito centrado em mim, na minha sobrevivência física, e também, muito, a tentar sobreviver ao desânimo e à incerteza. Lembro-me muito de ti, é claro, mas são sobretudo evocações de aflição, de medo, da falta que me fazes para me dares tranquilidade e confiança.

Mas este fim de semana regressaste de rompante à minha vida, voltaste a estar presente nas pequenas coisas, nas conversas, as que eu tenho com os outros e as que gostaria de ter contigo. No sábado pensei muito em ti, no tempo que já passou, de como de certa maneira os acontecimentos dos últimos meses me afastaram de ti, daquela presença quotidiana que eu continuei sempre a sentir depois de março do ano passado. Voltei a pensar no que foram os últimos tempos em que estivemos juntos, na tua casa, de quando foram as últimas vezes que saímos, e como foram dolorosos os últimos dois meses, como serão sempre uma ferida a arder, uma dor que não se apazigua.

Ontem estive a ver na TV um programa de fado, e passei o tempo quase todo a pensar em ti, a comentar mentalmente contigo o desenrolar do programa. Creio que a última vez que saímos juntos para ver um espectáculo, foi precisamente para irmos para fora da cidade, assistir a um concerto desta fadista. Houve muitas passagens do programa que me apeteceu comentar contigo, em que senti a dor intensa de querer falar contigo e não poder, de te fazer perguntas, de confirmar pormenores subtis do programa, de partilhar o prazer de ouvir a guitarra.

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um abraço Carla, obrigado

vou pedir-te já desculpa por me apropriar deste post e fazê-lo, tb, meu.
há umas semanas, entrei numa loja de roupa numa rua perto da praça do chile na hora do almoço. estava a ver os casacos e pensei 'ela ia gostar deste'. por uma fracção de segundos, não me recordei que já cá não estava e que eu teria ficado muito feliz por lhe dar um casaco no natal, que era da cor preferida dela, verde escuro. depois, caiu o baque e tudo regressou e fiquei com vontade de chorar. pendurei o casaco e saí da loja e fiquei este tempo todo a pensar. pensar que poderia escrever alguma coisa relacionada com a cor verde, na sombra dos olhos que usava quando eu era miúda, nas saias de fazenda pelos joelhos, nos casacos, mas que nunca iria escrever, porque seria demasiado pessoal e não tenho a coragem que tu tens.

bjs e festas ao juju.

é aconchegante e consolador partilhar o texto contigo.

não sei se partilhar um texto tão pessoal em público, é uma questão de coragem ou de fraqueza. mas isso também é tão irrelevante.

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