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um lugar perigoso
rosas
innersmile


É, se não estou em erro, o décimo romance de Garcia-Roza protagonizado pelo Delegado Espinosa, em pleno bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro (e o seu décimo primeiro romance policial, apenas um não teve Espinosa como protagonista). O autor escolhe situações particularmente complicadas para colocar desafios ao seu personagem: desta vez, Espinosa confronta-se com um ex-professor universitário, actual tradutor de Poe, que sofre de um raro distúrbio psicológico, que lhe provoca uma amnésia profunda, quer em relação às memórias antigas quer em relação às mais recentes. Vicente esquece-se de tudo o que faz ou lhe acontece, e esquece-se de que se esqueceu, criando ou imaginando situações para preencher os espaços vazios da sua memória.

É esta personagem, que tem tanto de fascinante como de repulsivo, de sedutor como de perigoso, que domina todo o romance. Aliás, Um Lugar Perigoso pode parecer ser mais um livro sobre Vicente do que sobre Espinosa, mas essa impressão é enganadora, pois todo o enredo nos leva sempre de volta ao responsável da 12ª Delegacia.

Atmosférico como sempre, dominado, como habitualmente, por uma espécie de intranquila serenidade, bem escrito, Um Lugar Perigoso mal se afasta, não tanto do bairro de Copacabana, mas do conjunto de quatro ou cinco quarteirões que marcam o centro geográfico da vida de Espinosa (e, neste caso, também de Vicente); e no entanto, igualmente como sempre, este é tanto um romance de intriga policial como uma crónica, amorosa e delicada, sobre uma cidade e os seus habitantes, mesmo quando uma e outros não resistem à natureza implacável das coisas e dos homens.

O meu amigo Bruno, do Rio, ofereceu-me o primeiro livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza que li, em janeiro de 2012, e, como gostei tanto, ao longo dos nossos sucessivos encontros, acabou por me oferecer todos os livros policiais do autor. Tanto quanto julgo saber, neste momento tenho lidos todos os romances publicados por Garcia-Roza. Por essa razão, tinha já este Um Lugar Perigoso comigo há mais de um ano, mas fui adiando o momento da leitura, para protelar este sentimento que agora experimento de, pela primeira vez em vários anos, não ter prometido um novo encontro com Espinosa.

  • 1
:)
ainda não o encontrei digital. ah, Poe, Vicente, corvo... um policial negro, gótico.
estou a portar-me muito mal este ano, a leitura está a ficar para trás.

é um pouco mais parado do que o costume, acho, mas mesmo assim é isso tudo que descreves :)

  • 1
?

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