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a neblina do passado
rosas
innersmile


Foi uma leitura acidentada, a deste meu primeiro livro de Leonardo Padura. O início foi fulgurante, e li pouco mais da primeira metade do livro verdadeiramente assombrado pelo profundo, mas fascinante, desencanto do personagem Mario Conde, e também pelo poder encantatório de uma canção, de um bolero.

Depois o mundo desabou e o livro ficou esquecido cá em casa, a fazer companhia ao gato. Quando voltei, olhei para ele a achar que não iria conseguir regressar, e não apenas pela falta de óculos adequados. O negrume e a acidez da prosa estavam totalmente contra-indicados para o meu frágil balanço emocional. Mas aos poucos retomei a leitura, e o desenlace foi novamente lido em estado de certa exaltação.

Uma atmosfera densa que serve o que é simultaneamente um romance histórico e um romance policial: uma história passada no tempo da revolução, uma das pequenas histórias caídas na poeira do esquecimento no tropel da revolução, e um crime cometido na actualidade que remete para uma morte misteriosa ocorrida nesse ano longínquo de 1960. Uma personagem de um desencanto fascinante, e um olhar político e social duro, duríssimo, sobre os caminhos da Cuba castrista. Em fundo, sempre, a irresistível e perigosa melodia de um bolero.

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ainda bem que conseguiste acabar.
agora percebes por que eu tive de comprar os restantes livros, mesmo em castelhano.
já os li, falta-me disposição para os comentar.

eu em castelhano não me arriscaria. uma amiga vai-me emprestar aquele sobre o assassino do Trostki.

Padura

(Anonymous)
Miguel,
Li apenas dois livros de Padura, tenho Os Hereges na agenda, mas tem-se metido outras leituras.
Aconselho vivamente O Homem que Gostava de Cães.
Livro mosaico, com várias histórias em momentos diferentes que confluem para o momento do assassinato de Trotsky. Se já não soubesse como tinha sido não teria conseguido ler essa parte. A minha irmã não conseguiu...
Eu requisitei o livro na biblioteca do Instituto Cervantes, não sei se existe em Coimbra. Cá há em espanhol e português.
ptc

uma amiga empresta-me O Homem que Gostava de Cães. Também ela se queixa da 'dureza' da leitura. eu quero ler, mas preciso de descansar, o Padura é capaz de exaurir o leitor, e este não é, da minha parte, o melhor dos tempos.

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