Previous Entry Share Next Entry
race
rosas
innersmile
Desde criança que umas das minhas histórias preferidas da Segunda Guerra Mundial é a de Jesse Owens e da sua participação nos Jogos Olímpicos de Berlim, que Hitler organizou, em 1936, para impressionar o mundo com a grandeza e a ambição do nazismo.

Race, o filme que Stephen Hopkins realizou para contar essa história, começa a ganhar pontos logo no título, que sublinha esse duplo sentido dos temas que o filme aborda, o da corrida, como lugar de superação individual, e o da questão rácica, talvez a mais determinante das questões que o nazismo suscita. E o filme segue sempre tratando esses dois planos em igualdade de circuntâncias, não porque qualquer deles seja mais “importante” do que o outro, mas porque todas as vidas, mesmo e sobretudo essas que se confrontaram com as várias faces do horror nazi, se jogaram no duplo tabuleiro, o do indivíduo e o da história.

O filme aguenta-se bem à ambição dos temas, a que acrescem outros, como o da segregação rácica no seio da própria América (como se diz no filme, que, recorde-se, se passa nos anos anteriores à guerra, que precedem a data dos jogos, 1936, confrontar-se com o racismo nazi não parecia muito pior do que com o racismo doméstico; aliás, é por este que o filme começa); os jogos políticos que os comités olímpicos, internacional e nacionais, têm de jogar, geralmente ao arrepio dos ideais de Coubertain; ou o trabalho de Leni Riefenstahl, que, ao mesmo tempo que servia a ominosa propaganda nazi, inventava a maneira como o cinema, e mais tarde a televisão, olham o desporto, em especial o desporto olímpico.
Tags:

?

Log in

No account? Create an account