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chega de saudade
rosas
innersmile


Uma extraordinária narrativa que alia a riqueza quase exuberante dos factos e das fontes e uma atenção quase obsessiva com o detalhe, ao fulgor entusiástico da escrita ficcional. É a quarta obra que leio do autor, depois da biografia de Carmen, do guia sui generis da cidade do Rio de Janeiro em carnaval de Fogo, e do romance histórico Era No Tempo do Rei, sobre a juventude do futuro primeiro imperador do Brasil; e sempre uma escrita impecável, um humor simpático mas nem por isso inócuo.

Ambientado aos bares minúsculos do Beco das Garrafas, aos imensos apartamentos com vista para o mar da zona Sul, ou às mais prestigiantes salas de espectáculos de Nova Iorque, Chega de Saudade vai, como nos diz o seu subtítulo, desfiando a história e as histórias de, mais do que um género, uma maneira de fazer música que revolucionou a música popular não apenas brasileira pois influenciou músicos de todo o mundo, de géneros que vão do jazz à música romântica. E, naturalmente, dos seus protagonistas, tratando-se, neste aspecto, de um desfile de nomes, dos mais óbvios e unânimes aos mais polémicos ou desconhecidos.

Confirmando algum do anedotário tradicional mas também desfazendo alguns mitos não menos clássicos, Ruy Castro escreve aquilo que é uma verdadeira biografia da Bossa Nova, compondo um evangelho que começa no seio de grupos de jovens ansiando pela chegada de uma nova maneira de fazer música que trouxesse para o Brasil a influência do jazz, passa pelo seu aparecimento nas cordas do violão de João Gilberto ou nas teclas do piano de Tom Jobim, e segue até ao momento em que a Bossa Nova já não é mais do Brasil, obrigando, por exemplo, Frank Sinatra a adaptar a voz às suas características.

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