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a little life
rosas
innersmile


A Little Life foi um dos livros mais perturbantes que eu li, e em relação ao qual tive sentimentos muito contraditórios. Trata-se da história de quatro amigos, e das pessoas das suas relações, que se conhecem na universidade e das suas vidas ao longo das quatro décadas seguintes. Mas de facto o relato é centrado num deles, um homem a quem, o mínimo que se pode dizer, é que a vida tratou muito mal, da pior maneira possível, e o livro é muito (entre outras coisas) sobre a maneira como estamos essencialmente sozinhos na vida, e de como podemos resistir e sobreviver à nossa própria vida e a essa terrível solidão. Mas é também, ao mesmo tempo, um livro sobre o triunfo da amizade, e como os nossos amigos são, do ponto de vista da sobrevivência emocional, tão ou mais importantes do que os nossos amores.

Como disse o livro despertou-me sentimentos muito contraditórios. Trata-se de um livro sombrio, e por isso atravessei estas semanas da sua leitura sempre um pouco depressivo. Mas fascinado, completamente obcecado, seduzido, quer pela história e seu evoluir, quer pelas personagens, quer pela narrativa. Mas também é um livro irritante, sobretudo pela forma cruel, quase sádica, como o protagonista é tratado. E as últimas páginas foram mais difíceis de conquistar porque a partir de certa altura o livro estava resolvido na minha mente, o que me entediou um pouco mas por outro lado me tornou mais ansioso para o terminar.

Mas o sentimento mais forte que experimentei foi de uma grande identificação com o protagonista; aliás, com uma série de personagens (por exemplo, com Harold) mas sobretudo com o protagonista. Não porque partilhasse com ele qualquer tipo de experiências (thank goodness!), mas porque os lugares do seu espírito, da sua mente, são lugares por onde já todos passámos, que todos já habitámos, por muito ou por pouco tempo. Há muito do que é ser humano hoje nestas páginas, quer nas suas angústias quer nos seus êxtases. Também por isso, a partir de certa altura estava desejoso para terminar, a precisar de descansar da viagem de montanha russa emocional que é a leitura deste livro.

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'O santo padroeiro das causas perdidas - acrescenta Julia, pegando na estátua das mãos de Harold, e as palavras vêm à mente de Jude de uma só vez: Rogai por nós, São Judas, protetor dos desesperados, rogai por nós.' - p. 211.

muito bem, oportuníssimo este trecho

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