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maria rita
rosas
innersmile
Adorei o concerto da Maria Rita, na terça-feira, no auditório do Convento de São Francisco, que eu ainda não conhecia. Quando vi pela primeira vez Maria Rita ao vivo, em janeiro de 2004, no CAE da Figueira da Foz, a carreira da cantora estava a começar (o seu primeiro cd é de 2003), e fiquei encantado, e completamente submetido à voz, ao timbre, à capacidade interpretativa. Durante muitos anos, como confirmou agora, Maria Rita apostou num caminho feito de muita honestidade e humildade que lhe permitisse afirmar-se fora da sombra de Elis Regina, sua mãe.

Muitos anos depois, e acompanhada apenas pelo pianista Tiago Costa (que de resto já participara nesse concerto na Figueira da Foz), Maria Rita cresceu como mulher e intérprete, e sobretudo assumiu essa herança da que foi, como referiu agora, “a maior cantora do Brasil ponto”. E fê-lo não apenas no final do concerto, dedicado precisamente ao repertório de Elis, mas ao longo de quase duas comoventes e comovidas horas, em que o formato de Voz & Piano permitiu vestir as canções com arranjos simples e intimistas, e uma fascinante e sedutora aproximação entre o balanço e a energia do samba e a liberdade criativa do jazz.

Maria Rita tem uma grande voz, domina completamente o seu instrumento, as suas cores e entoações, mas, como já se percebia há mais de doze anos, é sobretudo uma intérprete, que sabe vestir as canções, habitá-las, dar-lhes esse tom único de histórias que de alguma maneira explicam, ou pelo menos iluminam o mundo. E é precisamente neste ponto, tanto ou mais do que no timbre arrepiante, que Maria Rita se torna, inevitavelmente, a herdeira, justa e bela, da maior cantora do Brasil.
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