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the greatest
rosas
innersmile
Hoje em dia, com a internet, as redes sociais, o youtube, é fácil ser-se uma estrela à escala global. Tanto, que há muitas pessoas que o conseguem, não só com ausência de mérito próprio, como muitas vezes pelas razões mais infames. Fácil, e rápido: há um concerto, um evento desportivo, e nós estamos a ver, em directo ou quase.

Antigamente, no tempo da minha infância e juventude, a coisa era mais complicada. Não havia net, primeiro. Mesmo a televisão, não era esta facilidade que é hoje, não havia cabo nem satélites, não havia zapping por duzentos canais (nem havia comando à distância, por isso ainda bem que só havia um ou dois canais). De resto, acho que já o devo ter dito aqui: a primeira vez que vi tv diariamente, sem ser em modo experimental, tinha 14 anos, quase 15. Abençoada África!
Depois, não havia o culto da celebridade, ou pelo menos, não com a dimensão que há hoje, em que as pessoas são conhecidas só pelo facto de o serem, ou porque há toda uma indústria que vive disso. Quando alguém conseguia esse estatuto de ser uma estrela planetária, é porque muito provavelmente tinha feito alguma coisa para o merecer.

Claro, o desporto tinha as suas mega-estrelas. Lembro-me logo de duas: o Pelé no futebol (ou o Eusébio, mas esse nunca o pensei como estrela mundial pela simples razão de que era da minha terra, quase vizinho), o Jackie Stewart nas corridas de carro de fórmula 1. E, claro, havia uma outra, a maior delas todas: Cassius Clay, ou Muhammad Ali, the greatest. Nunca um epíteto foi tão bem aplicado.

Ali não era só uma estrela do desporto, e logo do boxe. Era uma verdadeira estrela pop, provavelmente a primeira do mundo do desporto, que o mundo conheceu e reconheceu. A sua imagem tinha valor icónico, como até então só as estrelas de cinema conheciam, como Marilyn ou James Dean. Para esse estatuto contribuiram sem dúvida os seus ganchos e directos, um jogo de pernas estonteante, mas também a sua personalidade, ali entre o cândido e o insolente, ao mesmo tempo inspirador e controverso. E também o facto de, suportado no seu estatuto e consciente dele, ter sido uma voz politizada, sobretudo no que dizia respeito à descriminação racial, mas também na sua recusa em ser recrutado para a guerra do Vietnam.

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Hoje em dia muitos que procuram ser reconhecido pela sue trabalho, ou apenas ter fama recorrem às redes sociais, e eu cada vez mais farto-me delas, incluindo a blogoesfera, e a culpa é de todos, pois muitos limitam-se a tocar o mesmo disco over and over, e eu estou incluído, e pouco ou nada resta-me partilhar.

eu não me canso, porque só escrevo quando e sobre o que me apetece. quando não me apetece, não escrevo :)

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