Previous Entry Share Next Entry
dheepan
rosas
innersmile
Dheepan, o mais recente filme de Jacques Audiard, talvez não tenha o impacto espectacular que tiveram as suas obras mais recentes (De Tanto Bater o Meu Coração Parou, O Profeta e Ferrugem e Osso), mas é, como eles, uma experiência emocional intensa e radical.

A história de um guerrilheiro Tigre Tamil que, no final da guerra, decide refugiar-se no ocidente, associando-se a uma rapariga e a uma criança, fingindo os três serem uma família para, desse modo, verem facilitado o processo de integração. O seu destino é a França, em particular um bairro degradado e problemático dos arredores de Paris, onde Dheepan é colocado como zelador.

O filme explora com grande fulgor a transferência de um cenário de guerra por outro, a mata pelo banlieue, o exército governamental pelos gangs ligados ao tráfico de droga, ambos impondo um quase impossível código de sobrevivência. Neste sentido, Dheepan é um filme assumidamente político, olhando impiedosamente para a crise dos refugiados, como para a incapacidade das sociedades em lidarem com os problemas que elas próprias criam.

Mas ao mesmo tempo o filme volta-se para dentro, para a complexa dinâmica que se estabelece entre três estranhos que são obrigados a comportarem-se como uma família, sendo neste aspecto igualmente um exercício sobre a intimidade. O final, apresentado como uma espécie de epílogo redentor, não atenua o incómodo dominante, funcionando essencialmente como uma espécie de recompensa que é oferecida, não tanto aos espectadores, mas sobretudo às próprias personagens.
Tags:

?

Log in

No account? Create an account