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em todas as ruas
rosas
innersmile
Já não sei por que associação de ideias, um dia destes lembrei-me de ti, depois deste poema do Mário Cesariny, do irresistível e encantatório apelo dos dois primeiros versos, e imediatamente me transportei, ‘vá savoir!', para as ruas de Alcobaça. Nós, na sala do panteão real como se estivéssemos sozinhos no mundo; nós, lado a lado, a atravessar a imensa praça em frente ao mosteiro, como se o nosso lugar fosse aquele, assim, livres e altos numa enorme praça aberta; nós, percorrendo a rua estreita e sombreada que corre junto à vetusta parede do mosteiro, como se o som da água a correr fosse a música do nosso destino.

"Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco"


Mário Cesariny, PENA CAPITAL


  • 1
Lindo poema - mais ainda por estar adornado por (estou seguro em afirmar, pois o texto é claro) tão boas lembranças tuas! Quase tão bonito quanto o "por vezes perco-me" ali de baixo. :-)

muito boas lembranças, sim

  • 1
?

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