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nem vem que não tem: a vida e o veneno de wilson simonal
rosas
innersmile


Excelente biografia de um dos nomes mais controversos da canção popular brasileira. Nos anos 60 Simonal era a mais brilhante de todas as estrelas pop brasileiras, apenas rivalizando, em popularidade, com Roberto Carlos. 10 anos depois tinha caído em desgraça, foi escorraçado do meio artístico, atacado pelos media.

A análise do biógrafo não fica prejudicada por uma óbvia simpatia pelo biografado. Em grande parte, porque a dimensão do trabalho de pesquisa o protege e dá-lhe o espaço de manobra para assumir essa simpatia.

Curiosamente, o grande mistério da vida de Simonal, saber se foi ou não delator de colegas junto das autoridades repressivas do regime da ditadura militar, não fica resolvido; o autor não toma partido, mas a análise e documentação sobre o assunto domina todo o livro. É caso para dizer que o mistério fica claramente iluminado e exposto, mas não fica resolvido, não deixa de ser mistério. E isso é um dos indicadores da seriedade do trabalho do autor.

Já aqui tinha falado do Wilson Simonal, um daqueles nomes que vem da infância, em especial dos bailes de carnaval, no Ferroviário de Nampula, quando todos dançavam ao som de País Tropical, um tema de Jorge Ben Jor que Simonal transformou num verdadeiro hino (e deu ao Brasil o 'patronímico' de Pa-tro-pi, por causa dos versos sincopados do refrão). No antigo site Um Que Tenha (saravá, Saint!) havia vários cds que gravou e lembrei-me de fazer o download de um para ver se a minha memória ainda reagia, e foi um verdadeiro coup-de-foudre, fiquei completamente apaixonado pelo swing, pelo fraseado, pela liberdade interpretativa de Simonal, e que me levaram a descobrir outros aspectos riquíssimos da sua música, em especial os acompanhamentos muito jazz da banda liderada pelo grande César Camargo Mariano.

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