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cabo verde 6/8
rosas
innersmile


23 março

Todo o dia em passeio, até ao norte da ilha, no Tarrafal, guiados pelo Félix. Começámos por correr os bairros todos da Praia, sem esquecer o monumento ao Papa João Paulo II, num miradouro com vista para a praia de Quebra Canela, onde o Papa rezou missa em 1990.

Depois de um pneu furado, o segundo em três dias, na Achada de São Filipe, seguimos para norte até São Domingos, onde visitámos uma pousada de montanha, em Rui Vaz. Continuámos em direcção à costa leste da ilha, Porto Badejo e Calheta, atravessando zonas agricolas, com barragens pluviais para rega.

Já no Tarrafal, almoçámos junto à praia, um arroz malandrinho de polvo, búzios e lapas, a ver os jovens a jogar futebol na praia e os barcos a sairem para a pesca. Fomos depois visitar o presídio, um impressionante campo de concentração, a fazer-nos lembrar que o salazarismo não foi essa espécie de ditadura de brandos costumes em que alguns acreditam ou querem fazer acreditar. Há um esforço museológico que visa preservar a memória do campo, e que dá testemunho do que representou o Tarrafal na execução da política repressiva de Salazar, quer na primeira fase, em que se destinava aos prisioneiros políticos do continente, em particular os implicados na revolta dos marinheiros, o que justifica tantos dos prisioneiros mortos no campo serem jovens na casa dos vinte anos; quer na fase posterior, em que os prisioneiros do campo eram os militantes dos movimentos nacionalistas africanos que lutavam pela independência das ex-colónias, e em que predominavam os angolanos e os guineenses.

No regresso, atravessámos a serra da Malagueta, reserva natural, com bancos de nevoeiro cerrado nos pontos mais altos, e, na Assomada, descemos até ao fundo de um vale, uma garganta estreita e fértil, para ver os embondeiros, um deles com um imponente tronco com 45 metros de diâmetro.

De regresso à Praia, fomos jantar ao Quintal da Música, com música ao vivo: Kátia Borges, voz, Ulisses Português, teclas, e Medina Ivan, na guitarra. Boa música, bom clima, e uma rapariga simpática que equilibrava caipirinhas na cabeça.
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Como Ruiz Vaz é bonito! Altas montanhas com vales verdes lá no fundão...
Não pude deixar de comparar o Tarrafal ao campo de concentração de Auschwitz. Em muito menor escala, e à exceção dos fornos, todos os elementos do horror estão lá ainda presentes.
Foi decerto um belo e rico dia. Chamou-me a atenção da quantidade de crianças sempre indo ou vindo para/da escola. O esforço do governo na educação primária parece ser genuíno.

Edited at 2016-04-16 06:01 pm (UTC)

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