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o filho de saul
rosas
innersmile
Fui no sábado ver O Filho de Saúl, um filme fortíssimo, realizado pelo húngaro Lázló Nemes, que se passa no interior do campo de concentração de Auschwitz, no verão de 1944. Saul é um sonderkommando, ou seja um dos prisioneiros do campo que integrava os grupos de trabalho responsáveis pela remoção dos corpos das câmaras de gás para os fornos crematórios, e o filme segue, durante um dia, as suas tentativas de fazer um funeral religioso para um rapaz gaseado que Saul acredita ser o seu filho.

O modo como o realizador consegue contornar o imperativo de não mostrar o interior do inferno, é colar a camara ao rosto fechado do actor Réza Gorhig, mostrando em segundo plano, quase sempre em imagens desfocadas, as operações de extermínio. O som tem uma importâmncia vital na narrativa do filme, pois é através da trilha sonora que são dadas ao espectador as informações necessárias para a reconstituição dos acontecimentos. Além disso a camara é sempre contida e seca, recusando banalizar as imagens do horror, ou, ainda mais, transformá-las em espectáculo.

O Filho de Saul é um filme marcante, um contributo importante para o papel que o cinema pode desempenhar na preservação da memória do holocausto, que sempre servirá de espelho moral para o pior que o espírito humano é capaz de inflingir ao seu semelhante. Na passada semana, o filme ganhou o Oscar da Academia para o melhor filme estrangeiro.
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queria ir ver na semana passada, na sexta, mas passaram-no para as 21,35 no el corte ingles e já não fui.
o trailer, que já vi umas quantas vezes, perturbou-me muito.
margarida

(vou ver mustang na 4.ª, espero)

sim, o filme é perturbador, eu diria inevitavelmente.

  • 1
?

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