Previous Entry Share Next Entry
carol
rosas
innersmile
Fui a correr no dia da estreia, ver Carol, o filme que Todd Haynes fez a partir do livro O Preço do Sal, da Patricia Highsmith (que li o ano passado). Apesar de algumas alterações narrativas, Haynes manteve-se muito fiel, sobretudo ao espírito do livro de Highsmith, que é fundamentalmente um exercício sobre o poder avassalador de uma enorme paixão, para mais quando é vivido na margem daquilo que é admitido socialmente.

Como já me tinha acontecido em relação ao livro, a miha simpatia nesta história vai toda para a personagem de Therese, que é não apenas a protagonista, mas o verdadeiro motor da história: é o dela o conflito que sustenta toda a história; é ela que que vai oferecer o seu frágil e formoso pescoço de gazela à fria e predadora Carol; é Carol que é o seu objecto do desejo; e é ela que, no fim, decide, contra a sua própria perturbação, que a história deve ter um final feliz.

Todd Haynes filma esta história com o apuro formal, entre o esfumado e o saturado, que é imagem de marca da maior parte dos seus filmes, em especial de Far From Heaven, sendo justo por isso destacar a fabulosa fotografia de Edward Lachman, responsável pela cinematografia de ambos os filmes. A banda sonora é um tratado, quer o score original quer a escolha dos temas. Mas claro que o cast é um dos grandes trunfos deste filme maravilhoso, com a Rooney Mara e a Cate Blanchett a darem vida e alma às personagens, mas mais do que isso, a marcarem este filme com uma beleza, um sortilégio e um fascínio verdadeiramente extraordinários.

A Patricia Highsmith é uma imensa escritora, mas isso apenas não deve explicar o facto de todas as adpatações para cinema das suas obras serem muito boas (apesar de ela achar o contrário), logo desde o seu primeiro livro, Strangers On A Train, que foi adaptado por Alfred Hitchcock, passando pelas novelas de Ripley, duas do Talented Mr. Ripley, dirigidas por René Clement e por Anthony Minghella, ou o Amigo Americano, de Wim Wenders, ou ainda pela adaptação de The Cry Of The Owl, por Claude Chabrol, que eu não conheço, entre muitas outras. E às quais se vem juntar agora esta obra-prima que é o filme de Todd Haynes.

  • 1
amanhã...
mas tenho o livro bem fresco na memória, ainda.

vais gostar, espero. é um filme especial

Irei ver esse filme em casa, não é o tipo de filme que me puxa para ir até a uma sala de cinema :-)

há filmes que pedem para serem vistos no ecrã grande, e este é um deles :)

  • 1
?

Log in

No account? Create an account