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Ontem de manhã fui nadar. Eram oito e quarenta e cinco estava na água. Nadei non-stop até às nove e vinte e cinco. Depois atravessei a rua que fica entre o edifício da piscina e a escola secundária, e fui votar. E foi neste percurso que decidi em quem votar. Tinha pensado fazer uns bigodes ao Tino de Rans, mas achei que com dez candidatos deveria votar em algum, pelo menos num dos cinco em que à partida eu admitiria poder votar. Pensei que teria vergonha em dizer que tinha votado no Tino de Rans ou no Bloco de Esquerda. De todos, aquele em que tinha menos vergonha de votar era no candidato do PC; não no padre, note-se, que teve um resultado à (diminuta) altura da péssima escolha do partido (imperdoável no partido com o maior e melhor número de quadros), mas no próprio partido. E foi assim. À noite, constatei que ganhou quem devia ter ganho, perdeu quem devia ter perdido (incluindo o candidato em quem votei), e o melhor desta eleição presidencial é mesmo que finalmente parece que nos vamos livrar do Cavaco de vez!

Marcelo passou uma vida inteira à espera de uma oportunidade deste género (falhou a de primeiro-ministro), geriu-a sempre (ou melhor: desde sempre) com frieza e inteligência, sem nunca denunciar demasiada vontade de ir ao pote, sem alinhar em dramatismos, e sem nunca ceder à demagogia de se achar providencial. Estava convencido de que era um dos portugueses mais bem preparados para o cargo, sendo por isso que se candidatou; e provavelmente tem razão.Não sei, é claro, se vai ser um bom presidente da república, mas tem condições e personalidade para isso; se souber controlar os seus defeitos, em particular uma certa compulsão para a intriga e o jogo de bastidores.

Irrita-me um bocado aquela coisa de que o “voto é secreto”. O voto pode ser secreto, mas não tem de ser segredo, e sobretudo não precisa de ser clandestino. O carácter secreto do voto serve para defender quem vota: é secreto no momento em que eu estou na cabine de voto, e só eu sei em quem estou a votar, completamente livre de pressões ou ameaças. É secreto porque eu não tenho de revelar a ninguém em quem votei, nomeadamente se temo poder vir a ser alvo de represálias por ter votado em quem votei. É só por isto que o voto é secreto.
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Brilhante, Miguel!
Passei por muitas reflexões antes de me entregar ao momento "o voto é secreto".
Pensei no Tino e nos trocadilhos da campanha. Adorei, mas é para rir! Mesmo assim era melhor do que o Cavaco!
Estava decidida a votar Nóvoa, mas não sei se volto a ver uma mulher num boletim de voto. vai daí, Votei Marisa! A outra, tadinha! Tinha de votar no feminino! E fiquei feliz por o ter feito.
Quanto ao Edgar: gostei! Gostei muito. Foi um candidato digno!
Há uma coisa boa, nisto tudo: Cavaco, bye bye!
E beijinhos para ti querido Miguel!

a existência de candidatas mulheres foi o aspecto mais significativo destas eleições. durante muito tempo pensei votar na Maria de Belém mas depois, como diriam os nossos conterrâneos, desconsegui :)

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