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21 de janeiro
rosas
innersmile


Hoje é o dia de aniversário da minha mãe. O ano passado ainda estávamos juntos, apesar de ela já estar bastante mal. Hoje, pela primeira vez, experimento esta sensação um pouco estranha de não haver razões para comemorar uma data tão importante para mim, porque tudo já se passa na memória. É certamente um dia para a recordar, mas nisso, este dia não é diferente de todos os outros.

Muitas vezes limitava-me a por aqui um poema neste dia, para assinalar, ainda que só para mim, a data. Nestes últimos anos, falava sobre o assunto, porque tinha a percepção clara de que cada dia de aniversário podia ser o último.

Um destes dias lembrei-me de que, com a falta da minha mãe, tenho aos poucos estado a perder uma certa capacidade para fazer palermices. Adorava dizer poemas para a minha mãe ouvir, cantar canções, fazer macacadas. Claro, era a única pessoa que estava disposta a ouvir-me dizer poemas. E ainda por cima gostava.

Desde ontem de madrugada que estou com febre, suponho que seja gripe, ou uma virose qualquer. Até nisso. Em vez de ir trabalhar, e distrair-me, fico aqui em casa a ler, a dormitar, a esperar que a temperatura aumente, e depois a esperar que baixe. A pensar na minha mãe, ou melhor a tentar perceber melhor o absurdo que é vivermos sem aqueles que mais amamos, sem aqueles que nos amavam de maneira tão incondicional e absoluta.

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Fica bem, que Mamãe não gosta de te ver doente.

Parabéns, Mamãe!

já estou melhor, acho :)

Beleza de foto, meu caro!
Você já se encontrou com sua mãe nos sonhos? Falo daquele sonho cuja sensação de realidade impressiona e abranda nossa tristeza. Continue a dizer os poemas para ela, isso só fará bem a ambos. Um abraço, querido. Edu.

sim, Edu, sonho muitas vezes com ela.

obrigado, meu querido João

A falta da presença física dela neste dia deve ser mais complicada... não acredito que seja igual a tantos outros dias.
Os aniversários, os natais, os dias de festa, são muito menos festivos...
Enfim, it is what it is , como dizia o outro.
Abracinho Miguel!

sem dúvida. sobretudo por aquilo que refiro no texto: de repente, já não há razão para comemorar. resta a saudade.

lá conseguimos, Miguel, custa, mas consegue-se.
as melhoras e festas ao juju.
Mãe é mãe, mas no baloiço é criança :)

no verso desta foto a minha mãe escreveu: "quando a companhia é boa até os velhos gostam de andar de baloiço". tinha 39 anos na foto :)
a dedicatória da foto era para a Madalena, a minha amiga do Montijo, quando nos conhecemos em Nampula, em 1970!

É tudo tão triste! É tudo tão bonito! Que lição!

Eu continuei a fazer algo no dia de anos do meu pai: a sobremesa preferida dele, a comprar um livro novo como se fosse um presente (que era dos presentes que mais gostava de receber), a comprar as suas flores preferidas (sim, o meu pai era um homem que gostava de receber flores), etc.
28 de agosto será sempre dia para festejar enquanto a minha memória me permitir.
Faz o mesmo, se te fizer sentir melhor.
As melhoras rápidas. *

obrigado Carla.
eu queria comprar flores, gosto muito e tinha quase sempre em casa, mas agora tenho receio de que o gato as coma, deite tudo abaixo e parta a jarra, enfim faça das suas. tenho de experimentar um dia destes a ver o que acontece

Miguel, falhei o dia mas não falhei o amor que sinto por ela desde este baloiço até hoje, mesmo quando não via nenhum baloiço. Nunca, nunca a/vos esqueci. Beijinhos! A lição que nos deu foi de vida. Foi como esta do baloiço sem idade. E ela era uma menina, claro! A menina tua mãe que tu me emprestaste porque eu precisava de uma mãe feliz e a minha mãe celeste estava muito triste...

gostei muito de trazer para aqui esta fotografia, que está toda ela ligada a ti e à nossa, nossa de nós os três, história comum.
beijos grandes.

Obrigada, querido Miguel, por me "puxares" para esta história comum. A tua mãe referia-se aos passeios com uma saudade feliz e dizia que tu andavas sempre a correr atrás de mim. Era o bom efeito de ser mais velha e o teu óptimo coração!

mas eu lembro-me disso, Madalena, de andar sempre atrás de ti, da paixão enorme que me despertaste. tanto, que eu tinha 8 anos e nunca esqueci. e a primeira vez que nos cruzámos na net, creio que nos comentários do blog da Chuinguita, tive de imediato, não foi um pressentimento, foi mais um sobressalto de que poderias ser tu, e comentei logo isso com a minha mãe.

Estou derretida, Miguel!!!!! Há poucos dias revivi tudo isto porque andei a mergulhei nas fotos que a minha mãe me deixou e lá estava este tão intenso pedaço de vida. Beijinhos, Miguel!!!!!

Sobrevive-se, é certo, mas muito dificilmente. Ainda tenho a minha mãe, é verdade, mas inevitavelmente perdê-la-ei, a menos que parta à sua frente, e já consigo antever a dor.

As fotos, as memórias, os cheiros, os lugares não ajudam a manter as pessoas vivas. Quem ama, jamais deixa morrer. Pelo contrário, creio, quanto a mim falo, que tornam a dor mais pungente. Quanto vou aos 'arquivos' e vejo fotos das férias com os pais, dos natais, torturo-me. Uma tortura que me ajuda, porém, a identificar melhor os locais, os semblantes, reavivando-os, meramente, que nunca os esqueço.

Fizeste muito bem em recordar. Não te sei dizer se algo de nós persiste noutra dimensão. Não perdemos nada em crer que sim. Pode ser que a senhora tua mãe esteja aí bem pertinho de ti, velando pelo teu sono, pelo teu bem-estar.

um abraço.

pois, não sei se alguma coisa de nós permanece noutra dimensão. mas é verdade que a minha mãe está sempre pertinho de mim: trago-a comigo.
grande abraço

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