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brooklyn
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Brooklyn é, talvez, o meu romance favorito do Colm Tóibìn, ou pelo menos, de entre todos os que li, aquele em que me pareceu que o escritor atingia o pico da sua escrita depurada e fluída, bem como da sua capacidade de falar de emoções e sentimentos de forma subtil e verdadeira. Dado que o romance não tem um enredo muito rico em peripécias, não me passou pela cabeça a possibilidade da sua adpatação ao cinema, e quando vi anunciado o filme, até pensei em não o ir ver, temendo que fosse um aproveitamento romantico e melado desta história de uma rapariga que imigra para os EUA, apaixona-se, e num regresso forçado e temporário à Irlanda fica dividida entre os desejos de ficar e de voltar.

Foi um artigo de jornal que reproduzia declarações de Tóibìn favoráveis ao filme que me convenceu a ir vê-lo. Isto apesar de o autor afirmar que a sua relação com o filme apenas existia porque ele tinha sido o tipo que escreveu o livro! E, de facto, o argumento do filme ficou a cargo do Nick Hornby, em outro escritor de quem gosto, apesar de, tanto quanto me lembro, só ter lido um livro dele (Um Grande Salto).

E Brooklyn, o filme de John Crowley, é notável, tão bom como o romance. Guarda, do livro de Tóibìn, a subtileza e a intensidade; é um filme triste, mas de uma tristeza mansa, aquela que a vida nos reserva, não nos grandes momentos dramáticos, mas nas escolhas que somos obrigados a fazer no dia a dia, as que nos afastam das pessoas que amamos quando nos aproximamos de outras pessoas que amamos. A tristeza que marca a resiliência com que confrontamos os desgostos que a vida nos dá, as saudades de casa. Mas também a alegria que sentimos com as pequenas coisas, as nossas vitórias intimas, as pequenas conquistas que, aparentemente sem grande importância ou impacto, nos fazem ficar mais satisfeitos connosco próprios.

Contribui muito para a felicidade do filme o trabalho extraordinário de Saoirse Ronan, cujo rosto consegue, com um mínimo de recursos, transmitir todo o conflito interior da personagem. Ao seu lado, um outro actor espantoso, Emory Cohen, acerca de quem, parece-me, iremos ouvir falar muito no futuro.
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Impressionante: você acaba de descrever nesse penúltimo parágrafo como fiquei (e continuo) me sentindo, apenas de ter escutado a trilha/banda sonora!

O filme ainda não estreou por aqui - verei se o consigo "por aí"...

O livro existe na Companhia das Letras - talvez o compre em PT-BR pra Mãe também o ler.

também foi editado por cá. mas eu gosto de ler os livros do Tóibìn em inglês. parece música :)

Um dos casos raros em que um filme acrescenta a um livro, em vez de lhe retirar?

não diria tanto. mas é um dos raros casos em que o filme não trai o poder e a delicadeza da literatura

Edited at 2016-01-19 08:54 am (UTC)

um belo filme, também estava com receio do que escreveste ali em cima, mas, não, uma excelente realização, a S. está soberba, o guarda-roupa, gosto muito de filmes de época.
este livro e «mães e filhos« estão na pilha para ler. a pilha dos 40 para este ano está a aumentar...

dois dos meus livros preferidos dele :)

Assisti!
No cinema (estreou sexta agora). Muito bonito mesmo... Deu vontade de ler o livro, agora que já tenho o visual (rostos, vozes, imagens) na cabeça: às vezes isto prejudica, mas neste caso sinto que não! Aliás, um caso atípico pra mim, já que comecei pela trilha sonora, agora o filme, por fim o livro... :-)

Ainda: pela primeira vez em anos me pego interessado em assistir a todos os filmes indicados ao Oscar. Ou quase todos: O Regresso claro que verei, só não sei se tão já.

não vi O Regresso (é o Revenant, não é?, do Iñarritu), não consigo arranjar coragem :)

Trumbo e Ex Machina hoje. Muito bons. Carol, Spotlight, The Big Short durante a semana. Danish Girl, O Menino e o Mundo, Anomalise também.

O Menino e o Mundo é o Room? para já não vou ver. Trumbo estreia no final desta semana e quero ver :)
Gostaste do Anomalise?

Edited at 2016-02-15 08:26 am (UTC)

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