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songs from the north
rosas
innersmile
Songs From The North, da sul-coreana Soon-Mi Yoo, na sessão desta semana do cineclube. A realizadora fez filmagens, por vezes em condições precárias e mesmo clandestinas, em três visitas à Coreia do Norte, que montou com excertos de filmagens de espectáculos, de documentários de propaganda, de filmes de ficção de cariz patriótico, e de documentários históricos. Completa o filme uma entrevista que a realizadora fez ao seu próprio pai, questionando-o sobre a maneira como ele e os seus amigos viveram o relacionamento com os irmãos do norte.

O resultado é um olhar intenso e carinhoso para o país de Kim Il Sung, tentando ver para além quer da propaganda quer dos olhares derisórios exteriores, procurando decifrar não tanto o absurdo do regime mas sobretudo o enigma que se encerra nas pessoas comuns, no povo anónimo que cruza as ruas e as praças geladas das cidades, ou as paisagens ora bucólicas ora inóspitas.

Soon-Mi Yoo vai interpondo vinhetas de texto que, por um lado, explicam e contextualizam o próprio filme e certas imagens, e por outro, fazem comentários de cariz mais ou menos poético, à realidade da Coreia do Norte e às suas próprias experiências no país e com os seus habitantes. Numa dessas vinhetas, a realizadora indaga-se (e cito de memória) sobre os efeitos nas pessoas do facto de o país não ter história, não ter memória histórica, mas apenas mitos que vão sendo construídos, alterados ou reforçados à medida das conveniências do regime e dos seus ditadores.

Noutra vinheta, Soon-Mi Yoo, filmando uma praça coberta de gelo atravessada por transeuntes, pergunta-se se as pessoas ainda tomam sentido nas vozes e nas palavras de propaganda que são continuamente despejadas através dos altifalantes públicos, ou se apenas ouvem os seus próprios passos a pisar o chão gelado.

Songs From The North acaba por ser um filme perturbador. Não tanto, ou não apenas, pela bizarria maníaca do regime político, mas sobretudo porque nos faz abandonar o conforto da distância, obrigando-nos a olhar com perplexidade comovente aqueles nossos irmãos de espécie e a procurar dentro de nós as raízes do mistério do que significa ser humano naquelas condições.

Só uma nota para dizer que Songs From The North tem co-produção portuguesa, da Rosa Filmes. E, já agora, que esta semana vi três filmes em três dias seguidos, algo que já não acontecia há muitos anos.
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na maratona de final de ano, vi uma data de filmes, na quarta vi 2 seguidos, com intervalo para jantar e no último dia do ano o do haigh, mas custou-me, porque o cérebro ainda estava sintonizado no filme anterior e já estava a assistir a 1 novo. agora 1, quando muito 2 por semana.

já cheguei a ver 2 ou 3 no mesmo dia, mas não gosto. o mesmo com espectáculos, não gosto de os ver muito seguidos, os seguintes como que "apagam" os anteriores. mas o Moretti e este coreano eram sessões únicas, era pegar ou largar. por isso é que em ambos os casos vim a correr escrever sobre eles, para "fixar" :)

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