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acordar
rosas
innersmile
Vejo no site da revista The Atlantic um ensaio fotográfico sobre o acordar e os rituais matinais: o dia antes do dia começar. São cinco fotos sobre cinco pessoas (anónimas), cada foto retrata uma das seguintes questões, a que os fotografados respondem: qual o primeiro pensamento quando acordam, quais as rotinas matinais, qual o papel das redes sociais na vida quotidiana, saber se hoje em dia estamos mais ou menos ligados aos outros do que antes, e quais são as coisas verdadeiramente importantes na vida.

Em relação à primeira questão, acho engraçado que, com excepção da última das fotografadas, que pensa que quer dormir mais trinta minutos, os restantes sujeitos pensam sempre coisas com uma certa grandeza: planeiam o dia, pensam que querem fazer alguma coisa que valha a pena, esse tipo de coisas.

Ponho-me então a pensar no que são os meus próprios primeiros pensamentos, aquilo que ocupa o meu cérebro nos momentos em que estou a acordar. Não tenho bem a certeza, mas acho que é uma mistura de quatro ou cinco coisas. Uma delas, suponho que a primeira, é que o gato me está a acordar, e o que é que eu posso fazer para o impedir de raspar com as patas na roupa de cama mesmo ao lado da minha cabeça, e que já que não posso fazer nada o melhor é fazer-lhe uma festinha e brincar com ele à brincadeira de esconder as mãos debaixo do lençol e provocá-lo com toques nas patas.

Muitas vezes os meus primeiros pensamentos matinais têm a ver com algum sonho que eu estava a ter, fico ali uns momentos sob influência do sonho, a pensar se aquilo que estava a sonhar é verdade ou se fazia parte do sonho, e que raio é que aquilo que eu estava a sonhar significa.

Outra coisa que me passa pela cabeça quase todas as manhãs, para não dizer mesmo todas, enquanto brinco com o gato, é o dia da semana em que estamos e quantos dias faltam para o fim de semana, para não ter de me levantar para ir trabalhar. Isto porque a maior parte das vezes, quando tenho alguma coisa de fora de vulgar para fazer nesse dia, ou, se calha ao fim de semana, tenho de me levantar para ir nadar, ou porque tenho alguma coisa combinada, o que me passa pela cabeça é mesmo que não me apetece.

O outro pensamento recorrente é saber se estou ou não com vontade de urinar, tentar recordar-me quantas vezes me levantei para urinar e a que horas terá sido a última vez que me levantei.

É tudo muito prosaico, eu sei. Não tenho a certeza se gostaria de ter pensamentos grandiosos logo ao acordar, acho que ainda assim prefiro acordar com as travessuras do gato, por muito irritantes que elas sejam na altura. Uma coisa de que não sei se deva sentir embaraço, é que raras vezes penso no trabalho, naquilo que tenho de fazer nesse dia. Acho que na maior parte dos dias só começo a pensar no trabalho quando já vou a caminho, no carro, e mesmo assim isso só acontece naquelas ocasiões em que tenho qualquer coisa importante para fazer, qualquer coisa que fuja mesmo à rotina.

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É curioso, mas nesta altura do ano o eu primeiro pensamento quando acordo é mesmo encontrar a maçaneta da porta para ir à casa de banho. Não gosto de acender a luz :-S

é o que eu digo, nunca temos pensamentos grandiosos quando acordamos, do tipo 'hoje vou salvar o mundo', 'hoje vou ser bondoso e descobrir a cura para a crise do subprime'

nestes últimos tempos, preocupo-me mesmo em despachar tudo o que tenho no trabalho. penso nisso em casa, como foi hoje, não devia pensar nem aborrecer-me mas, enfim, há prazos e pressões, mas ainda bem que regressou hoje uma colega, que me aliviou um bocado e consegui sair um pouco antes das sete :D (o recorde foi na sexta passada, às 19h20).
mas onde estava eu com a cabeça para querer ir para os RH? :p
bem, na verdade, não desgosto, é só criar rotinas e fixar os procedimentos.
não penso muito no fim-de-semana quando acabo por gostar daquilo que faço e do sítio onde estou, mas como é tudo tão novo ainda estou a saborear. mas tenho a noção de que não é um mar de rosas.
pensamentos grandiosos? só ficar mais um bocadinho no quentinho, ou gritar para a Elvira parar de arranhar a porta.
na verdade, não é grande o sacrifício em me levantar cedo, depois de tudo o que passei (daqui a um ano estou a mudar o meu discurso...)

acho que há momentos diferentes na nossa vida, em que as nossas energias e a nossa atenção são mais canalizadas para umas coisas em detrimento de outras. quando estamos face a um novo desafio profissional, é natural que essa seja a nossa maior preocupação, não só porque não queremos falhar, mas pelo próprio desafio em si, pela oportunidade de fazer coisas novas e diferentes.

eu também não faço sacrifício em me levantar cedo, o gato lá se encarrega de me acordar as seis e tal, incluindo aos fins de semana. e gosto das manhãs longas, onde cabe muita coisa (ou pelo menos muitas páginas de um livro). mas sou muito preguiçoso, e a perspective de não ter nenhuma obrigação, de poder perder tempo, deitar horas fora, é aliciante :)

Peço para que Deus me guie no dia e mantenha viva a esperança de que tudo caminhará. É como se me sentisse vulnerável a cada dia e a perspectiva de ter um porto seguro em algum lugar ajudasse a viver e a não a me esconder da vida.

a fé salva aqueles que a têm.

Eu ando a fazer cálculos matemáticos assim que abro os olhos: são 6h.. mais 4...?

os grandes génios são assim :)

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