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pequenas epifanias
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Quando me encontrei com o Saint-Clair no Rio de Janeiro, numa noite de sexta-feira, no hotel onde fiquei instalado, em Copacabana, antes ainda de sairmos para jantar, subimos ao quarto para trocar livros. Tinhamos combinado emprestarmo-nos mutuamente alguns livros e cada um de nós trazia outros para oferta. O Saint trazia um lote razoável de livros de Caio Fernando Abreu que era um dos seus escritores favoritos, e que ele queria muito que eu conhecesse. Com certeza já aqui contei, e até mais do que uma vez, esta história, mas não faz mal.

Entre os livros de contos e o romance de Dulce Veiga, um dos livros que me trouxe, já não sei se dos emprestados ou dos oferecidos, estava Pequenas Epifanias, uma colecção das crónicas publicadas em vários jornais, especialmente no Estado de São Paulo, nos últimos anos de vida do autor: as crónicas datam de 94 e 95, Caio morreria em fevereiro de 1996.

Depois da troca de livros, saímos para jantar, ali mesmo em Copacabana. Nessa mesma noite, comecei a ler Pequenas Epifanias, por ser, entre todos, o livro mais fácil de ler naquelas circunstâncias, com o tempo e a concentração muito cerceadas pelas obrigações próprias da vida de turista. Foi, assim, o primeiro livro de Caio F que li. E que decidi agora, mais de dez anos volvidos, ler de novo.

Claro, não é o Caio prime da literatura que conhecemos das suas melhores obras. A escrita de crónicas de jornal é éfemera, vive ao sabor do quotidiano, e, na maior parte dos casos, morre com o dia. Mas, sobretudo agora nesta releitura e quando já li boa parte da sua obra, é um livro que nos traz para muito próximo do autor, da sua pessoa mais do que da sua persona literária. Estou a ler o livro em formato electrónico, e muito ao sabor daqueles intervalos do dia a dia que vão sobrando: à espera do cinema, de companhia ao jantar. Há crónicas que leio mais apressadamente, menos atento, mas depois há outras que me agarram completamente, que me fazem olhar, e sentir, de maneira nova, que me comovem ou exaltam. Caio Fernando Abreu foi, é, um enorme escritor. A vida, mesmo nas circunstâncias difíceis em que estes textos foram escritos, é sempre mais misteriosa e exaltante vista pelo olhar de Caio F.

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Ele é mesmo supimpa, não é? Conheci através de indicações suas, aí de PT-PT. Então, obrigado!!

sério? que coisa tão supimpa: eu ter recebido o Caio de um brasileiro e agora estar a devolvê-lo a outro brasileiro, tanto um como outro pessoas que eu adoro!

Não consigo ler livros eletrónicos, o virar de uma página tem muito que se lhe diga!

eu gosto. e neste caso, é uma win-win situation: tenho o livro em casa, e o ebook no telemóvel, para poder ler em todo o lado :)

Um cult; interessante que o meu também foi presente de um amigo querido por 25 anos de amizade; lindo presente. Sugiro ler também Morangos mofados.

já li a maior parte das suas obras, incluindo Morangos Mofados, que é um dos meus livros preferidos do Caio. é uma obra-prima, na minha opinião.

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