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bridge of spies
rosas
innersmile
O Steven Spielberg é um realizador cada vez melhor. Ok, escolhe fazer filmes com um pendor humanista, a sua perspectiva, embora possa parecer à primeira vista convencional, é sempre favorável ao indivíduo em desfavor do sistema, as suas histórias são sempre exemplos edificantes de pessoas que escolhem fazer “the right thing”, ainda que possam nem sempre “do things right”.

Isso tudo é verdade, mas aquilo que o torna um grande realizador é a narrativa. O modo como constrói os filmes, como filma as histórias, como dirige os actores, como usa a mise-en-scéne. Bridge of Spies, o seu último filme a estrear nas salas portuguesas, é disso um excelente exemplo: aquilo está tão bem feito, é tão rico do ponto de vista da story-telling, é ao mesmo tempo denso e leve, profundo e fluído.

Quem está apenas interessado na história e no modo como ela evolui não tem por que se queixar, ela é-lhe servida de modo eficaz, sempre fazendo progredir a acção. Mas, claro, o festim é sobretudo para quem se deixa mergulhar na elegância da câmara de Spielberg, na segurança do plano, na fluidez da sequência, na veemência da música (de Thomas Newman, em vez do habitual John Williams).

E na inteligência do argumento, da autoria dos irmãos Ethan e Joel Coen (escrito em parceria com Matt Charman, que tinha sido o argumentista do muito interessante Suite Française), e que nos conta uma história de espionagem, em plena guerra fria, mas a partir da mais improvável das perspectivas, a de um advogado que leva a sério o seu dever de defender o melhor possível o seu cliente e, na passada, acaba a negociar troca de prisioneiros entre as duas superpotências.

Ajuda muito o filme ter Tom Hanks no protagonista, um actor que se especializou a fazer papéis de homem comum em situações extraordinárias. Mas a estrela da companhia é mesmo Mark Rylance, um quase desconhecido actor inglês de extracção shakespeareana, que nos faz um retrato pleno de contenção e determinação, do espião soviético Rudolf Abel.

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Tivesse lido resenha assim à época do lançamento por aqui, teria visto no cinema. Agora fiquei curioso e verei asap! :-)

é por isso que eu tenho certos princípios cinéfilos. como por exemplo: ver todos os filmes do Spielberg, no matter what :)

Assistido e concordo 110% com tua resenha!

P.S.: Também assisti ao filme do Snoopy (Peanuts): fofo fofo fofo!

eu acho que o Spielberg é tão bom contador de histórias :)

excelente, excelente :) um belo filme à hora do almoço.
haverá livro? agora fiquei curiosa.
margarida

é uma delícia, não é? tão bem contado, este tipo é incrível.

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