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Quando comecei a ir a Londres, em 1984, os irmãos Kray eram verdadeiros ícones pop. O seu lugar na cultura popular tinha sobretudo a ver com o ambiente dos swinging sixties e com as suas ligações aos negócios da noite, mas também com aquela mistura escandalosa de crime-celebridade-sexo-e-drogas de que os ingleses tanto gostam. E um pouco a prova disso é o facto de já em 1990 se ter feito um filme sobre eles (que eu não vi) em que o papel dos gémeos era interpretado por dois artistas pop, os irmãos Kemp da banda Spandau Ballet.

E o meu interesse pela sua história teve sobretudo a ver com a descoberta de que um dos gémeos era homossexual, e de uma forma não diria tanto assumida, mas desabrida, e conhecida por todos os que conviveram com eles. Por isso, às ligações ao crime organizado norte-americano, ao tráfego de droga, e ao recurso a uma violência brutal como método de dissuasão, os Kray acrescentavam ainda a chantagem da denúncia pública das ligações de inúmeros políticos, conservadores e trabalhistas, a Ron Kray, que com eles mantinha ligações sexuais, recrutava-lhes acompanhantes e prostitutos, e organizava-lhes orgias.

O filme Legend (Lendas do Crime), que Brian Helgeland fez agora com a história dos irmãos Kray explora o lado excessivo da sua história: o excesso da violência, mas também da feerie que era a sua vida, feita de luxo e bas fond. Não terá a inteligência cinéfila de um Tarantino, mas seguramente tem mais subtileza do que um Guy Ritchie. O filme explora muito a tensão psicológica entre os dois irmãos: Reggie, o cérebro da ‘Firma’ (como era conhecida a sua associação criminosa), que aspirava a dedicar-se apenas aos negócios legítimos dos casinos e dos bares noturnos, e Ronnie, um psicopata violento e incontrolável.

Um dos trunfos do filme é a interpretação de Tom Hardy em ambos os papéis; apostando numa certa dissimelhança física entre os dois gémeos (que eram idênticos), Hardy consegue estabelecer a dose de tensão dramática adequada entre as diferentes maneiras como os dois irmãos pretendiam conduzir as suas vidas, mas sempre reforçando a forte ligação que existia entre ambos.
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Vi uma reportagem sobre o filme na TV e não liguei uma coisa à outra. Em miudo tínhamos em casa uma cassete dos Spandau Ballet.

Pelo o que vi, o Tom Hardy teve um grande desafio pela frente, e na reportagem disseram que ele queria era fazer o papel de ambos.

é um filme razoável, e além disso é sempre um prazer ver o Tom Hardy, principalmente vezes dois :)

o TH está em pleno este outono. brevemente, aparecerá no filme do dicaprio, the revenant.

para ver na próxima semana, espero. agora entro 1h mais tarde e vou ao cinema à noite, mas ao pé de casa :)
chegaste a ver o black mass? agora estou numa de criminosos. :p

é verdade. ainda há pouco tempo vi o Child 44 (não, não era sobre o sócrates...) com ele. e o Mad Max, claro. é um actorzão, em vários sentidos do aumentativo :)

já te mudaste? era dia 1, não era?

boa! parabéns e muitas felicidades :)

muito obrigada.
agora, nos primeiros tempos, adeus net (não tenho tempo, é tanta coisa nova :) )

pois, calculo que sim, mas cada coisa a seu tempo, e este é mesmo de adaptação, aprendizagem e entusiasmo :)

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