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1822
rosas
innersmile


Já tinha lido, aqui há uma meia dúzia de anos, 1808, a obra de Laurentino Gomes sobre a transferência da corte portuguesa para o Brasil, para fugir às tropas napoleónicas, e o papel decisivo que essa transferência iria ter no futuro dos dois países, nomeadamente por ter criado as condições que levariam à independência brasileiro.

Em 1822 o autor retoma o curso da história, começando por esse dia 7 de setembro desse mesmo ano, quando o infante Dom Pedro, que tinha ficado no Brasil como princípe regente, por entre cólicas intestinais, e montado num burro, dá o famoso Grito do Ipiranga.

Está dado o mote para mais umas centenas de páginas em que a história dos dois países nos é contada com uma linguagem simples, cheia de anedotas e pequenas histórias, com particular atenção dada às principais personagens, da grande como da pequena história, e sempre com uma olhadela aos grandes esquecidos dos manuais, ou seja: o povo, a gente das ruas, os que morrem nas guerras, os que aclamam ou vituperam.

Como já tinha acontecido em relação ao anterior volume o livro é pródigo em lições para o nosso presente: muitos dos acontecimentos da época, sobretudo em termos de mentalidades e temperamentos, parecem explicar quer o Brasil quer o Portugal do presente. A escravatura, em todos os seus aspectos, tem um papel decisivo, nomeadamente pelo duplo medo que instilava, o de que, se fosse extinta, terminaria com o principal suporte económico do país, e o de que, se continuasse, poderia dar origem a revoltas de consequências medonhas.

Não sendo eu um conhecedor da história do Brasil, aprendi uma coisa: ao contrário do mito, e do que eu acreditava, a independência do Brasil não nasceu de um acordo entre Dom João VI e Dom Pedro (I do Brasil e IV de Portugal) onde pai e filho decidiram criar o império brasileiro e tornar Dom Pedro Imperador. Tratou-se, de facto, de uma verdadeira guerra pela independência; o grito do Ipiranga surge numa altura em que Portugal, o seu suserano e os seus exércitos e armada apertavam o cerco àqueles que, dos dois lados do ocêano, forçavam o discurso autonomista. E segue-se-lhe um longo período de guerra, que dura cerca de quinze meses e jaz milhares de vítimas.

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Não consigo ler esse tipo de livros, é como se por vezes a cultura fosse tão pesada que eu não aguento. Apesar de gostar um pouco de tudo, há coisas que não consigo ler.

compreendo-te: há livros que também não consigo ler :)

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