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recado
rosas
innersmile


Preciso de te contar como foi o dia de ontem. Parece que fica sempre tudo incompleto se tu não souberes, se eu não te contar, como se, de alguma maneira, as coisas só fizessem sentido se fossem para ti; talvez porque tu fosses a única pessoa a perceber exactamente o que sentia, o modo como eu sentia as coisas da vida.

Os nossos meninos vieram cá. Chegaram na quarta-feira à noite, muito tarde. Pedi à tua sobrinha para eles ficarem lá em casa, apesar de tudo é mais confortável e “normal” do que a minha. Ontem de manhã fui buscá-los e fomos ao Pediátrico, para a baby ter uma consulta. As coisas a princípio não estavam a correr muito bem, mas depois ao longo da manhã compuseram-se substancialmente, e pareceu-me que o resultado da vinda deles cá acima foi positivo, e que a nossa menina ficou satisfeita e, espero eu, menos ansiosa com os problemas da baby.

Depois fomos os quatro almoçar, já em ambiente de grande descontração. Ficámos na esplanada, a miúda comeu bem e brincou. Foi óptimo. A seguir fomos ver o pai, o nosso menino queria ir ver o avô. Estivemos lá um bocadinho. A má notícia é que pela primeira vez ele estava de cadeira de rodas, confirmou-se aquilo que eu previa, que não demoraria muito tempo a ter de ficar na carreira de rodas, as dificuldades da marcha são cada vez maiores. Mas tirando isso, de resto estava bem: tranquilo e muito reactivo. Conversou com o menino, que lhe mostrou vídeos da baby e ele disse-lhe que um dia destes nos temos de juntar todos, na casa de um ou de outro, para passarmos uns dias juntos. Assim mesmo! Ainda liguei ao meu irmão, para eles os três falarem um bocadinho.

Passámos pela tua casa. Está quase vazia. Eu aproveitei para levar uma coisa pesada para minha casa, para o menino alancar escada acima! Levaram uns vidros que ainda lá estavam: travessas, copos, jarras (há tantas coisas tuas em casa dos meninos, tenho a certeza de que gostarias de saber). Fomos para minha casa, para a baby conhecer o gato (apesar da recomendação do médico de que ela não deve conviver com animais, por causa do pelo). Foi uma loucura: ela sempre a conversar com o Zézinho, a dizer-lhe coisas, com um ar muito compenetrado; e o gato sempre atrás dela, com um ar muito curioso, admirado com a presença daquele ser tão movimentado e falador numa casa sempre tão sossegada. Gostei mesmo que eles tivessem ido a minha casa.

Finalmente regressámos a casa da tua sobrinha, para eles prepararem as coisas para arrancarem para baixo. Mais uma vez a loucura. A baby muito bem disposta, a dar espetáculo, muito à vontade, a falar com toda a gente. Eles estavam encantados com a miúda, via-se bem. Ela deu-lhe de jantar, deu-lhe a sopa, e a miúda, sempre tão esquisita para comer, portou-se bem, comeu tudo. Depois jantámos nós sempre num bom ambiente, descontraídos e divertidos. Por volta das dez, os meninos arrancaram e eu vim para casa. De coração cheio, foi um dia emocionante, correu tudo bem, não houve problemas, estávamos todos bem dispostos. Faltavas tu, é claro, para dar sentido às coisas, sobretudo a estas, as coisas boas da vida. Mas, pronto, por isso é que eu estava mesmo a precisar de te contar tudo.

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muito obrigado, meu querido amigo

As pessoas são insubstituíveis, ao contrário do que o outro dizia, e deixam sempre um espaço vazio no nosso coração mas por outro lado é bom podermos sentir alegria com outras que chegam e nos aquecem a alma.

Lamento que o teu pai esteja pior <3

são insubstituíveis sim. mas, como dizes, o coração é grande e cabem sempre muitos amores :)

bem verdade Elsa.

gosto muito deste post.

obrigado, pela parte que me toca :)

Um abraço, que luz nestas palavras, apesar de tudo.

sabes, é que tenho saudades de dar boas notícias à minha mãe, não conheci outra pessoa que ficasse tão feliz com a felicidade dos outros, como ela.

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