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O cineclube retomou esta semana as sessões ao ar livre, com um ciclo dedicado à comédia, que começou de forma implacável: Modern Times, de Charles Chaplin. Apesar de conhecer praticamente todas as sequências do filme, e os seus famosos gags, não me lembro se alguma vez terei visto o filme assim todo de seguida, e se o fiz foi certamente no televisor, sem a intensidade do grande ecrã.

Há três coisas surpreendentes no filme. Em primeiro lugar, o sentido da comédia; não do cómico, do efeito humoristico, mas da comédia como uma construção do cinema, do gag como uma sequência com princípio, meio e fim, como se fosse toda uma coreografia, tão profundamente estruturada e encenada que tudo parece espontâneo.

Depois, surpreende o profundo sentido humanistico do filme, a sua consciência política, a de que o mundo em que vivemos faz vítimas, e que essas vítimas se situam sempre do lado dos pobres e desfavorecidos. É um filme de esquerda e, se acrescentarmos ao capitalismo industrial o da especulação financeira, de uma contemporaneidade que arrepia.

Mas o que é mais surpreendente no filme é a maneira como ele continua a surpreender-nos, como gags que já vimos dezenas ou centenas de vezes continuam a ser capazes de arrancar gargalhadas a uma plateia feita de adultos, uns mais outros menos jovens. Como Charlot, o Carlitos, que é um ícone da cultura popular que já nem damos por ele e que até ganhou uma certa patine de kitsch, continua a ser uma personagem tão verosímil e credível que acreditamos inteiramente nela, na sua verdade, no seu humanismo, na sua comédia.

Não sei se por efeito de se tratar da primeira noite ao ar livre, ou do poder de chamariz de Chaplin, mas a sessão de ontem estava cheia, esgotou a lotação e ainda tiveram de se ir buscar mais cadeiras. Tão bom, e, lá está, surpreendente, ver Charlot a fazer rir uma plateia cheia.
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