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choriro + um anjo impuro
rosas
innersmile
Dois livros que têm em comum terem por cenário Moçambique, e abordarem aspectos da sua história, em particular o período colonial.



Já há uns anos tinha lido um livro de Ungulani Ba Ka Khosa, Ualalapi, que é considerado um dos melhores romances moçambicanos, estando ainda entre aquelas que são reconhecidos como as melhores obras literárias africanas do século XX. Se em Ualalapi, Ungulani recontava a história de Ngungunhana, o último imperador do império de Gaza, no sul de Moçambique, em Choriro aborda a história do vale do Zambeze através da narrativa de um rei branco que se encontra no seu leito de morte.

A escrita de Ungulani Ba Ka Khosa não é muito fácil, e a narrativa é fortemente etnográfica, impregnada do culto do fantástico e do maravilhoso próprio da cultura moçambicana, e com um sentido alegórico muito acentuado. De qualquer forma achei que este livro não tinha o fulgor torrencial de Ualalapi, ou talvez facilitasse a leitura o facto da história do Gungunhana ser mais familiar.



Um Anjo Impuro é uma incursão do escritor sueco Henning Mankell, o autor dos romances policiais de Kurt Wallander, pela história e pela paisagem moçambicanas, que o autor conhece bem dada a actividade teatral que tem desenvolvido em Maputo, em particular com o grupo Mutumbela Gogo.

O livro conta a história de uma jovem mulher sueca que, na passagem do século XIX para o XX, assolada pela pobreza e pela dificuldades da sobrevivência na sua terra natal, é empurrada para uma viagem de barco transatlântica. Numa paragem em Lourenço Marques, foge do barco e refugia-se num hotel na baixa da cidade. Trata-se, na realidade, de um bordel de mulheres negras, do qual a mulher acabará por se tornar proprietária.

Com um bom arranque, o livro vai perdendo o fulgor narrativo à medida que avança esta espécie de romance biográfico vagamente inspirado numa história verdadeira. O aspecto de caracterização do que poderia ter sido a vida de uma mulher branca contra-corrente na então denominada África Oriental Portuguesa, foi o que mais me interessou no livro.

Mankell tenta dar ao romance um certo cunho político, inserindo-o num contexto de proto-nacionalismo moçambicano, de revolta contra o racismo e a exploração esclavagista, mas não sei se o resultado é muito convincente

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Não conhecia o primeiro e folheei o segundo. Deste autor, mantenho-me nos policiais. Ainda não acabei o W.

também ainda não li todos os W, acho que me faltam dois. mas o HM a escrever sobre Moçambique era absolutamente irresistível.

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