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this blogging life
rosas
innersmile
Tenho pensado muito nos últimos dias em alterar a minha actividade diaristica on-line. No mês que vem faz 14 anos que mantenho o innersmile, não exactamente todos os dias mas com muita regularidade, e por um lado estou um bocado cansado, não de escrever mas do formato; e por outro lado sinto que é uma actividade cada vez mais solitária. Quase todos os blogs que sigo estão abandonados ou suspensos, e apesar de eu escrever sobretudo porque me apetece (escrevo “porque” e não “para”) muitas vezes sinto que estou a escrever para o boneco, que já ninguém lê isto, e os poucos que lêem não querem saber, não se dão ao trabalho de comentar, ou interagir de alguma maneira, e, juro que não me estou a queixar, porque a maior parte das vezes isto não tem grande interesse. Confesso que tenho pena de ter perdido alguns leitores que eu gostava muito que me lessem, e isso também me ajuda a estar um bocado desanimado com o innersmile.

Como disse não estou cansado de escrever, nunca me canso disso, porque quando não me apetece não escrevo, e passado pouco tempo volta a vontade de escrever. Gostei muito de uma experiência que o Eduardo Caxa fez de manter uma espécie de blog na sua página do google plus, apesar de ele próprio ter considerado a experiência não muito conseguida. Isso dar-me-ia maior liberdade, podia publicar textos mais elaborados, o tipo de coisas que ponho no innersmile, mas também coisas mais instantâneas, links, clips de video, fotografias. Também o podia fazer no facebook, mas não gosto nada do facebook, acho sempre que não tenho controlo nenhum sobre a plataforma, não a domino nem sequer a entendo. Além disso, no google plus estão algumas das pessoas que ainda gosto que me leiam.

Pensei assim ser mais regular a pôr coisas no google plus, fazer dele o meu poiso mais consistente, e eventualmente manter o innersmile só mais como arquivo, não apenas do que já lá está publicado mas também de alguns textos que me apetecesse guardar, porque as coisas no google plus são muito voláteis, os posts duram pouco por lá, e eu, por diversas razões, ando muitas vezes à procura de informações ou referências em textos antigos do innersmile.

Isto seria tudo muito bonito se eu conseguisse abandonar o innersmile. O problema é que não consigo, não tenho coragem. São muitos anos, são milhares de textos (quase quatro mil entradas), faz parte da minha vida, e é muito da minha vida que aqui está. Era mais fácil se os russos puxassem a tomada e descontinuassem a plataforma. De outra maneira, por minha iniciativa, acho que não consigo. Apesar de por vezes estar cansado e até me sentir um bocadinho prisioneiro do innersmile. Mas parece-me que sou como o outro, não saio com pulseira electrónica. Ou seja, acho que vai ficar tudo mais ou menos na mesma.

Cá está, uma das razões porque gosto de escrever é porque me ajuda a pôr as coisas em perspectiva, a pensar sobre elas, a cristalizá-las. Podemos andar a pensar dias sobre uma coisa qualquer que anda às voltas na nossa cabeça; mal a passamos a escrito, tudo vai ficando mais claro. Como comecei por dizer, ando há dias a pensar nisto. À medida que ia escrevendo o texto, foi ficando sempre mais óbvia a conclusão do parágrafo anterior.

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Há quem continue a ler... mesmo que de forma "silenciosa".

É muito tempo, é natural (inevitável) o cansaço, mas há também, é verdade, essa ligação afectiva de tanto tempo de escrita neste formato e nesta página, que não se apaga e, justificadamente, não se consegue "desligar".

Um abraço.

Leonel Vicente

é isso mesmo, Leonel: por um lado, um certo cansaço do formato, e mesmo a impressão de que ele já passou o prazo de validade; mas por outro, essa enorme dificuldade de "desligar".
abraço e obrigado.

Ainda há gente que te lê sim mas e por mim falo, já não abro esta página todos os dias, aliás ultimamente nem todas as semanas.
Esta discussão é velha e já a tive nas páginas dos diversos amigos que, de uma forma ou de outra se foram despedindo desta casa.
Somos umas putas velhas que sentimos falta do fulgor da juventude e de vez em quando ainda se nos vem o calor no meio das pernas mas depois o calor passa, queixamo-nos mais um bocado e ninguém volta a pegar nisto.
Mas fazia-nos bem.
Abraço


chamaste-me 'puta velha'? olha que não sou assim tão velho... ;)

Meu querido amigo Miguel, este blog tem de continuar. Eu leio todos os dias e aprendo sempre algo. Às vezes fico emocionada com o que escreves, e fico sem jeito para comentar.
Sabes, andei entusiasmada a preparar uma viagem. Fui à Grécia, e fiquei encantada. A história riquíssima, a gente hospitaleira, a comida, as ilhas espetaculares. Tenho de voltar.......
Desejo que continues a escrever, e prometo comentar, quando tiver opinião que valha a pena. Um beijo com saudades. Lídia

Lídia, sabes como sou manhosito: fiz este post só para tu comentares eheh

que bom, foste à Grécia. eu só conheço Creta, que adorei.

Interessante, é como se o cérebro precisasse dos circuitos da escrita ligados para desencadear o processo de decisão. Deve ser uma característica dos escritores e é por isso que algumas pessoas não conseguem viver sem escrever. Mas acredito que, mesmo assim, deves refletir sobre os assuntos que te preocupam, por exemplo, no chuveiro, ou ao adormecer/acordar, mesmo que não tomes a decisão... até porque sei de algumas coisas sobre as quais preferes conversar antes que "cristalizem"... :D
Fiquei curioso sobre o teu ritmo de escrita: passas rapidamente de parágrafo para parágrafo? Ou seja, a "cristalização" é rápida ou lenta? E a "cristalização" ocorre à medida que as palavras vão passando ao ecrã/papel ou quando o texto é publicada?

Sofro do mesmo ou parecido mal! Só raciocínio bem quando paro pra escrever. Ou talvez raciocine tão velozmente (velocidade <> qualidade) que a mão me freie/filtre os pensamentos, que pela boca sairiam como uma metralhadora.

Gostava do G+ pelo desapego a essa coisa de histórico. Mas a ameaça de descontinuidade da plataforma enquanto rede social me fez voltar ao velho Blogger de guerra.

Mas independente de onde estejas/escrevas... "por onde for quero ser seu par!"

Pronto, pronto, já passou. ;-)
Agora a sério. O deslumbramento do início passou, é certo. Lembro-me não há muitos anos, ainda sem blogue, que andava de canto em canto pessoal. Pouco sabia destes blogues, só praticamente lia os políticos, sociais, satíricos, sim, o meu pipi :-P e li muita coisa daí para trás e fui saltando e saltando. É mais do que curiosidade, pôs-me a ler outras coisas, tu e a malta toda e a escrever e por aí além. Já tu eras veterano nisto eu nem sabia deste mundo virtual. E como eu, muitos. E surgirão outros, que o mundo pula e avança, com igual curiosidade e etc. Tens leitores fiéis.
Tanto que deixei-me de outras redes sociais e cinji-me unicamente à blogosfera. Não escrevo em mais lado nenhum.
Homem,catorze anos! Um bocado da tua vida adulta :-)
Abraços para vocês.

não me estava a queixar, até porque também sigo cada vez menos blogs, e nos poucos que sigo quase nunca comento. como disse no texto estou cansado do formato, é sempre a mesma coisa, mas o ponto é que não consigo passar sem escrever :)

Meu querido Miguel, não me dês este desgosto! O Inner faz-me companhia é isso é a primeira razão. Tenho de confessar o meu egoísmo. Depois, dou um passo atrás, distancio-me um pouquinho e vejo que não é só isso. É a tua escrita que é de uma beleza incrível e que ler-te faz bem, sacia-me a fome das palavras escolhidas, das frases claras, transparentes, do resultado belo, tudo envolto em verdade. E há sobretudo há este carinho por ti! O Inner tem vista para a varanda e faz a ponte com um tempo que se tornou memorável. Tão memorável que emergiu sem ninguém lhe pedir. Meu querido Miguel, não te vãs embora!

nunca iriei, Madalena. a sorte de nos reencontrarmos na mesma varanda tantos anos depois não acontece duas vezes e eu não me arriscaria :)

Eu leio-o em silêncio há muito tempo e adoro os seus textos.

muito obrigado pelo comentário, e pelo "incentivo"

este post é engraçado porque eu faço muito isso. não consigo passar muito tempo sem escrever nos meus cadernos que se multiplicam, preciso mesmo porque é a única forma de pôr em perspectiva muita coisa na minha vida, na minha cabeça. e às vezes as respostas surgem assim, dessa maneira.

não consigo imaginar o LJ sem os teus posts. é das poucas coisas que me fazem continuar a aparecer por aqui. se mudares de plataforma vou atrás, só não deixes é de partilhar connosco os teus pensamentos :)

acho que estou viciado nesta coisa de pensar através da escrita :)

Caro Miguel, como vê, não falta gente a ler o que escreve :-) Quanto à dependência, depois de manter o meu blogue há quase 11 anos, percebo-o perfeitamente. Posso fazer pausas mais ou menos prolongadas, mas não me imagino (o que não significa que não mude de ideias um dia destes) a abandoná-lo de vez.

Carlos Azevedo | The Cat Scats

é isso mesmo, Carlos; e eu, às vezes, gostava de mudar de ideias e conseguir abandoná-lo. mas com toda a probabilidade iria fazer-me falta, ou então iria escrever noutro lado qualquer, e sendo assim o melhor é ir-me deixando estar :)

Eu creio que são reflexos da silly season. Não tarda uns tempos e volta tudo à normalidade. Em todo o caso, não voltando, é natural que a rotina se vá apoderando destas plataformas. Vais esmorecendo, a novidade vai se esgotando. É natural. O segredo está em não perderes a espontaneidade, continuando a encarar o blogue como uma plataforma que te dá gozo e prazer, e não como uma extensão de ti próprio, um dever.

abraço.

no meu caso não é um dever, mas uma necessidade. que, na grande maioria das vezes, me dá muito prazer. e que também me dá, como já deu, bons amigos.

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