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casque d'or
rosas
innersmile
Mais uma sessão do cineclube Fila K, desta vez com o filme Casque D’Or, realizado em 1952 por Jacques Becker, com Simone Signoret e Serge Reggiani nos principais papeis, e de novo programado e apresentado com brilhantismo por Fernando Fausto de Almeida. Trata-se de uma tragédia romântica, que conta os amores funestos entre uma prostituta e um carpinteiro num ambiente de criminosos, estabelecimentos de má fama e polícias corruptos, da Belle Époque.

Uma recriação da época minuciosa e opulenta, a maravilhosa fotografia a preto e branco e o trabalho de atores e atrizes no apogeu da sua arte são factores que transformam este filme numa verdadeira obra de arte, mas aquilo que lhe dá o toque de génio, que o transforma numa obra-prima, é a narrativa, o story-telling.

O modo como o filme vai desfiando a sua história, a progressão do enredo, a sucessão das peripécias, o desenho das personagens, é tudo tão envolvente, que depressa esquecemos que estamos a ver um filme de época, realizado há mais de sessenta anos, de tal modo estamos absorvidos e interessados no destino daquela história e dos seus protagonistas. Não há momentos mortos, a acção está sempre a progredir com uma noção perfeita de ritmo.

E o que é mais espantoso é que tudo isto acontece visualmente, toda a informação está nas imagens, não há cenas ou diálogos explicativos ou de enquadramento, cada sequência é importante, cada frame conta. Mas também não há informação a mais, nada que nos distraia ou confunda, nenhuma ganga, nenhuma gordura. Acho que vi muitos poucos filmes assim, com uma narrativa tão absorvente e eficaz.
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Vi este filme "há séculos", mas ainda o recordo. Fabuloso!

é uma pena o ciclo dedicado à Signoret ter terminado. descobri duas jóias graças a ele.

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