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piso 3 quarto 313
rosas
innersmile


Fernando Correia é um conhecido homem da rádio e da TV, em particular no campo do jornalismo desportivo. Neste Piso 3 Quarto 313, o autor relata a sua experiência de tratar e lidar de perto com uma doente de Alzheimer, no caso a sua própria mulher.

Interessava-me muito ler este livro por duas razões. A primeira, naturalmente, é porque se trata de uma questão que me diz respeito, embora haja uma diferença não escamoteável: enquanto que o meu pai começou a apresentar os primeiros sinais de degenerescência cognitiva aos 80 anos, a doente do livro tem neste momento 71 e já leva mais anos de doença do que o meu pai, e está num estado muito mais avançado. Ou seja, isto sim, é uma verdadeira tragédia. Apesar de haver muitas coisas que são familiares, quer em relação ao aparecimento da doença, quer na maneira como ela progride, quer no enorme peso em que esta doença se traduz para os que cuidam dos doentes.

Outro aspecto que me interessava particularmente tem a ver com o facto de tanto no caso do livro como no meu, estar em causa a mesma instituição religiosa, ainda que em casas diferentes. Interessava-me em especial perceber a avaliação que Fernando Correia faz dessa instituição e dos cuidados que são dispensados aos doentes. Ainda que o autor, a avaliar pelo relato, esteja muito mais envolvido , quer no acompanhamento quer no próprio tratamento, do que eu; o que tem a ver, creio, quer com o factor idade, quer sobretudo pelo diverso impacto que a doença tem nos dois casos.

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Meu querido Miguel, como é duro os nossos não nos reconhecerem. Mas o mais duro para mim é mesmo eles não se reconhecerem a si mesmos, inventarem vidas.... Acho que a minha está a perder essa capacidade de inventar uma vida ao lado.... Isso dói muito porque essa vida ao lado salvava-a da minha própria interrogação do sentido da vida. Não li o livro do Fernando Correia. Folheei e vi fotos. Vivo rodeada de fotos da minha mãe quando era linda e nova.... As poucas histórias de Alzheimer ou demência que conheço são quase todas tão semelhantes.... Beijinhos, Miguel!

Ontem fui ver o meu pai, que está estável.
Mas fiquei triste, porque pensei que pior do que nós nos esquecermos dos outros, é os outros esquecerem-se de nós, e às vezes acho que é isso que está acontecer ao meu pai, pelo menos por parte de muitos familiares e amigos.
um beijo grande Madalena

Quando o livro saiu, vi uma peça na TV na hora do jantar, altura bem que vejo algumas notícias. Vi-o com a mulher no quarto da instituição. Não consigo imaginar o que a família sofre e tem de suportar por causa desta doença. E tenho um medo terrível de a ter.

também tenho, mas é daquelas coisas: mais vale corações ao alto do que pensar nisso. e com o meu curriculo oncológico...

É muito importante sabermos como é a situação de casos semelhantes, pois de certa forma se encontram neles algum conforto, alguma solidariedade.

sem dúvida João. e até para ver se fizemos / fazemos as coisas certas, aprendermos como é que os outros resolveram problemas que nós temos, etc.

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