Previous Entry Share Next Entry
o curso normal
rosas
innersmile
No domingo à tarde, regressava de ir ver o meu pai à casa de saúde e cruzei-me, no IC2, com grandes grupos de peregrinos para Fátima. Junto ao local onde há poucas semanas, cinco peregrinos foram apanhados por um carro desgovernado, o trânsito quase para. Pouco depois cruzo-me com um grupo muito grande, um molhe de gente que transborda da estreita berma para a faixa de rodagem. À frente, um homem carrega um porta-estandarte com uma bandeira, azul clara e amarela. Logo a seguir, dois homens suportam um pequeno andor com uma estátua da nossa senhora de Fátima. Não sou religioso, nem sou crente, e, por isso, não comungo do culto mariano. Mas ver aquela imagem da senhora, estrada fora, ao sol inclemente da tarde, por entre o tumulto do trânsito e a brasa do alcatrão, transportada por um grupo de homens e mulheres, comoveu-me. Fiquei com os olhos rasos de água.

Ontem de manhã recebi um telefonema da casa de saúde. Convidam-me para, na sexta-feira de manhã, participar numa reunião do grupo multiprofissional que definirá e planeará a intervenção terapêutica em relação ao meu pai. Respondi logo que sim, claro. E mais uma vez fiquei muito comovido.

A vida segue o seu curso normal. A felicidade reside nas pequenas coisas, nos momentos em que nos sentimos apaziguados. Não há que pedir mais, pois a vida já é generosa, com tudo aquilo que recebemos dela; e com aquilo que passamos aos outros do que a vida nos dá.

  • 1
Gratidão genuína é dos mais nobres sentimentos. Também dos que mais traz felicidade e apaziguamento, duas coisas que você o os seus bem merecem.

obrigado, meu caro. não peço mais :)

Eu sou crente, mas à minha maneira, ou seja muito comodamente. E claro que há certas coisas ligadas à Igreja que sinto de forma especial.
Quando vejo por acaso na TV alguma coisa das cerimónias de Fátima, isso acontece com os doentes,
E quando estive em Mafra, como tenente, fui uma vez a uma peregrinação de Outubro, penso eu, integrado numa delegação de oficiais da EPI e a uma certa altura coube-me pegar também no andor de Nossa Senhora, senti algo de muito forte dentro de mim.

a crença religiosa dos outros é uma coisa que me comove muito.

comovo-me e choro, porque a minha mãe era crente e devota a Fátima, tanto que a minha irmã tem este nome. foi a Fátima muitas vezes e eu também.
tenho muitas N. Sras lá por casa, em cima da cómoda do quarto da minha mãe e nem sei o que fazer delas, mas custa-me deitá-las fora.

não sei o que aconteceu às imagens que a minha mãe tinha em casa. eu tenho uma imagem da Nossa Senhora da Aparecida, em madeira, que me ofereceu o Bruno, o meu amigo do Rio. adoro-a, tenho-lhe veneração :)

comovente, meu caro!

edu.

Como sabes, não acredito na felicidade, nem nas pequenas coisas. Acredito que possamos ter uma ideia do que será, como a ideia que temos de Deus, mas a felicidade, existindo, comportaria um grau de bem-estar tal que não encontramos na Terra. Defendo uma concepção envolta numa beatitude que não dissimulo, sujeitando-me à crítica, claro. :) Dizer às pessoas: "Olhe, nunca vai saber o que é ser feliz!", custa a ouvir.

Acredito numa entidade qualquer. Por respeito e algum temor, assumo, não enfrento, nem em privado, entidades veneradas seja por que credo for. Respeito a Senhora de Fátima e o amor que os fiéis lhe têm. Acho profundamente feio e intolerante tentar diminuir a fé dos outros com argumentos que não vão a lado algum. A fé das pessoas não se explica.

o meu lado racional não me permite acreditar em coisas que desafiam a minha capacidade de entendimento. sou capaz de acreditar naquilo que não vejo, que nunca vi, mas que sou capaz de perceber; mas para mim é uma barreira quase inultrapassável acreditar em alguma coisa que me ultrapassa, que transcende a minha capacidade de construção mental e intelectual.

já a felicidade é outra coisa. reside em nós, na capacidade de nos sentirmos apaziguados com a vida e o mundo. olha, por exemplo, passar um inesperado final de tarde de sábado, em amena cavaqueira com amigos queridos, é uma pepita de felicidade, que devemos guardar connosco para nos aquecer e reconfortar nos momentos mais solitários.

E, espero de coração, que a Fátima retornes por razões fraternas.

Edited at 2015-06-06 01:03 am (UTC)

retornarei certamente, e por essas razões, as melhores de todas

  • 1
?

Log in

No account? Create an account