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mariano gago
rosas
innersmile
Faz todo sentido invocar o nome do Professor Mariano Gago na ocasião, tão inesperada quanto prematura, da sua morte, que ocorreu ontem. Para além de cientista e divulgador de ciência, Mariano Gago foi um político que fez a diferença. Dele não se poderá dizer que passou pelos governos para se servir, mais do que para servir. De facto, houve um antes e há um depois, em consequência da sua passagem por dois governos, entre 1995 e 2002, como ministro da Ciência e da Tecnologia, nos governos dirigidos por António Guterres, e depois, com Sócrates, entre 2005 e 2011, como ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Mariano Gago investiu na ciência, na criação de ciência e de uma cultura de ciência. Todos nós temos amigos ou familiares que tiveram de sair do país para poderem desenvolver carreiras na área da investigação científica, e foi Mariano Gago que inverteu esta lógica. A investigação científica era, na maioria dos casos, inexistente ou artificiosa, e servia para criar feudos e quintas nas nossas universidades.

Mariano Gago criou condições para fixar os jovens cientistas portugueses e para atrair os que tinham saído ou mesmo estrangeiros. Com ele, Portugal passou a fazer parte dos roteiros da investigação. Ainda há poucos momentos, eu ouvia numa estação de rádio um programa semanal dedicado à Ciência, onde, emissão após emissão, é notório que em Portugal, nas suas universidades e nos seus laboratórios, se produz ciência, e que o país detém um lugar no panorama internacional. E se óbvio que isso apenas se consegue com o trabalho e a participação de muitas pessoas, de toda a gente que faz ciência e/ou se dedica a divulgá-la, é justo dizer que, no plano político e de desígnio nacional, tal se deve a Mariano Gago.

Infelizmente, por acção do actual governo, esta situação teve um tremendo recuo, e hoje há de novo muitos cientistas, jovens e menos jovens, a terem de sair do país, porque o governo não valoriza a investigação e a cultura científica como condições necessárias para o desenvolvimento económico, social e cultural do país. Mas essa é, mais do que de desânimo, uma razão acrescida para se evocar a herança valiosa que o Professor Mariano Gago legou a Portugal.

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Quando alguém conhecido morre, não faltam elogias e loas à sua pessoa.
Mariano Gago, embora tivesse sido ministro por duas vezes, não era um tipo de pessoa que se tornava notado, o que fazia, fazia bem, mas sem holofotes...
Foi que eu saiba dos pouquíssimos governantes dos últimos tempos que em vez de se servir da política, serviu a política.
Num país onde a Ciência é um assunto que os governos desprezam, MG foi o exemplo máximo do remar contra a maré nesse campo. E devemos dizê-lo, foi mérito de Sócrates criar um cargo governamental adequado à sua medida.
Mesmo como Min. da Educação, no governo de Guterres, um cargo sempre tão sujeito a criticas, foi dos mais consensuais.
Se por um lado me satisfaz ouvir o coro de elogios à sua acção, vinda de todos os quadrantes políticos, não deixa de ser, e pelas razões que expressaste, algo cínico ouvir Passos Coelho elogiá-lo.
Um homem bom, um bom governante, um óptimo cientista.
Portugal, no últimos mês perdeu gente muito importante, em sectores diferenciados: Manuel de Oliveira, Silva Lopes, Luís Serpa e agora, Mariano Gago. Estamos cada vez mais pobres.

acho que quem criou o cargo de ministro da ciência e da tecnologia foi o Guterres, em 95. com Sócrates, MG foi ministro da ciência, tecnologia e do ensino superior.
se não estou em erro, nunca foi ministro da educação.

eu nem sabia que estava doente. incrível gente tão nova e que o cancro leva. discreto, fez imenso pela ciência, que este governo está tão lesto em destruir...

eu também não sabia, que tristeza.

Se bem me lembro foi talvez o único ministro de Portugal ao qual raramente se lhe apontou um dedo. Até mesmo a oposição se vergou à sua genialidade. Claramente nunca foi um político, foi apenas um homem de ciência.

Um Ribatejano no Oeste

acho que estás enganado, Nelson. Mariano Gago foi um político sim, e o seu contributo para Portugal foi essencialmente político.
e é importante sublinhar isto porque pessoas como MG dignificam a actividade política, esses é que são os verdadeiros políticos, os que passam pelo poder para servir e verdadeiramente transformam para melhor a vida colectiva e até a dos cidadãos.

Tens toda a razão, Miguel, foi sempre Ministro da Ciência e Tecnologia, com Guterres e com Sócrates, mas com este agregou também o ensino superior. Quanto à questão de não ser político, ele foi-o e desde muito novo, já nos seus tempos universitários onde esteve à frente da Associação de Estudantes do IST.

foi um político como todos deveriam ser

Não sabia sequer que estava doente.

Não me recordo da sua actividade política, pequeno que era. Não vivi conscientemente esses tempos. O seu valor, contudo, é de reconhecimento unânime. Foi um homem da ciência, e muito fez por ela.

Vá Mark, também não me faças sentir assim tão velho. o homem foi ministro até 2011, no último governo Sócrates :)

olha Mark, não gostando de endeusar ninguém, eu acho que Mariano Gago foi de facto o exemplo de como todos os políticos deviam ser: um homem com ideias, com um plano, e que foi para o governo para o concretizar. e com isso mudou Portugal, porque ao mudar o panorama da ciência em Portugal, foi também o país que se transformou para melhor.

Não fui preciso: não me recordo da sua actividade política na era Guterres. No governo de Sócrates, sei que foi ministro e recordo-me de o ver.


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