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silêncio
rosas
innersmile
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No sábado fui almoçar a um dos meus sítios habituais. É uma cervejaria, das mais antigas ainda em actividade. Aqui há uns anos era um dos lugares obrigatórios da cidade, sobretudo para quem gosta de marisco, agora já não sei.

Frequento esta cervejaria desde sempre, desde o tempo em que não tinha dinheiro para lá comer. Um amigo meu, dos tempos de liceu e faculdade, morava ali muito perto, e por vezes ía lá almoçar, e eu aproveitava a companhia. A primeira vez que lá comi, pagaram-me o almoço. Foram filetes. Ao longo destes últimos trinta e tal anos vou lá frequentemente, antigamente por causa dos filetes e das francesinhas (era um dos raros restaurantes da cidade que as serviam), nos tempos mais recentes por causa dos pregos no prato.

A única coisa que me irrita nesta casa é a espécie de horror ao silêncio tão comum nos estabelecimentos públicos. No sábado, estavam talvez três mesas ocupadas, uma delas com um grupo, umas oito ou nove pessoas, que, naturalmente, conversavam em voz alta. Além disso havia música de fundo, pop dos anos oitenta se não estou em erro. E por cima de tudo isto, o som alto do notíciário da televisão. Felizmente, sentado ao balcão, consegui abstrair-me da cacofonia, graças ao kindle.

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Mas porque é que as pessoas não sabem conversar em voz normal?
Pior que isso só aquela gente que nos transportes públicos fala ao telemóvel e toda a gente tem que suportar conversas perfeitamente idiotas, pois que quem fala assim, geralmente tem conversas idiotas...

João, o que eu aqui achei absurdo foi haver música de fundo e som da TV ao mesmo tempo. para quê a dose dupla?

Há algumas cervejarias em Lisboa que povoam o meu imaginário. Não só o imaginário como as memórias. Espaços que frequentava com os pais. Uma delas é a Trindade e outra é a Portugália, na Almirante Reis. Mas há mais. Pelo marisco também, com certeza. :)

Pop dos anos 80, sim, sem noticiário a acompanhar e sem histerismos. :)

adoro a Trindade, que já frequentei muito, era dos meus lugares preferidos quando ia muitas vezes a Lx. e, claro, também gosto muito da Portugália, mas preferia a Trindade, até pela localização.
havia um tipo que estava lá sempre que eu lá ia, já de idade, com um ar muito gasto, pela vida e pelo álcool. empilhava canecas em cima da mesa, literalmente. a última vez que o vi lá, empilhava garrafas de coca-cola. depois disso, nunca mais o vi, mas também coincidiu com a altura em que praticamente deixei de ir, a Lx e à Trindade.

não sei como consegues criar essa bolha de protecção do ruído. esta tarde estava a bufar na carruagem com um rapaz que passou quase meia hora (tirando o túnel da ponte) a falar ao telemóvel, alto, tão alto. incomodado, eu? se está mal, que se mude... não, ele não respondeu isso, mas eu quase mudei de cadeira...

não sei se foi treino da faculdade, se é o gosto de ler em cafés, mas consigo abstrair-me do contexto e concentrar-me na leitura. a não ser que haja alguma conversa mais insistente e/ou me apeteça ouvi-la. aí a leitura serve para fingir que estou concentrado e na realidade estar a ouvir a conversa :)

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