Previous Entry Share Next Entry
eddy bellegueule, segundo armário, blake & mortimer
rosas
innersmile
Ontem o Domingo rendeu muito em termos de leitura: terminei dois livros e li um terceiro.

1eddy

Confesso que fiquei um pouco desiludido com este Eddy Bellegueule, de Edouard Louis. O livro vinha com uma certa aura de escândalo e foi um dos sucessos recentes da literatura francesa. Não me impressionou, nem a natureza do relato nem a escrita. Por um lado, fez-me lembrar o filme de Ettore Scola, Feios, Porcos e Maus (Brutti, sporchi e cattivi, que saudades do Nino Manfredi), o ambiente de miséria, tanto física como moral. Mas o que mais me incomodou foi uma certa sensação de fake, quer em relação à família de Eddy, quer mesmo na questão da homofobia. Não quero com isto menosprezar as situações relatadas, nem o clima de violência causado pelo bullying, mas, não sei, houve ali qualquer coisa que me soou a falso, nomeadamente em relação aos próprios pais do protagonista: de certa maneira, Eddy não outras razões de queixa que não sejam o facto de ter nascido numa aldeia, entre uma família muito pobre e de extrema rudeza. Mas daí a um certo exercício de quase escatologia, puxando por uma certa auto-vitimização? Não sei, tenho dúvidas…

1segarmario

O Segundo Armário: Diário de um Jovem Soropositivo, de Gabriel de Souza Abreu é mais uma edição da Index, a editora dos meus amigos João e Luís, e da qual estou sempre muito próximo. Aliás, podemos começar por aqui, trata-se de mais uma excelente edição em formato electrónico, com links para fora do texto, nomeadamente para os clips das canções que são invocadas ao longo do livro e que fazem parte integrante da narrativa. Além disso, e dado o tema, o livro vem complementado com informações e links úteis sobre a Sida e o HIV. Ou seja, a Index não se limita a editar um ebook, aproveita e faz serviço público associando a sua edição à luta contra o HIV.

Quanto ao livro propriamente dito, trata-se de um relato na primeira pessoa, em forma de diário, que acompanha a vida do autor durante um período de dois anos, desde o dia em que se descobre portador de HIV. Escrito muito à pele, com o coração, não na boca, mas na mão que escreve, é naturalmente um livro um pouco desequilibrado, por vezes até um pouco incoerente ou mesmo contraditório. Mas, nesse aspecto, é como a vida, sobretudo a vida assim, vivida no limite, na angústia e na incerteza, para além do sofrimento físico, e a que se soma a ignomínia social e familiar e profissional que ainda representa para muitas pessoas a Sida e o HIV.

1blakemort

Há muito que não lia uma aventura de Blake & Mortimer, que é uma das minhas séries de banda desenhada favoritas. Este O Bastão de Licurgo é o mais recente volume, da autoria de Yves Sente, texto, e André Juillard (ilustração) que assim dão continuidade às aventuras das personagens criadas por E. P. Jacobs. A história é muito boa e remete para os primeiros albuns, situando-se cronologica e narrativamente antes do primeiro livro, durante a segunda grande guerra.

  • 1
Também eu tenho (ou teria...) algumas expectativas sobre o livro do Édouard Louis, mas agora talvez até venha a gostar do livro por causa do teu aviso. De qualquer forma posso contar com o empréstimo dele?

claro que sim, só te peço para mo recordares mais próximo do nosso encontro

eu até que gostaria de ler assim tanto como tu, mas entre 1 hora de meditação (tenho de me disciplinar, pelo menos cumprir os 21 dias), mais coisas em casa, mais chegar tarde, mais não sei o quê, pouco tenho lido.
tenho para mim que este ano não cumprirei o objectivo do gr...

vá, essa conversa já não cola, tu lês mais (e melhor) do que eu :)

1 hora de meditação parece bem, mas... rouba tanto tempo à leitura... eheh

  • 1
?

Log in

No account? Create an account