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O filme chama-se ‘Birdman (or The Unexpected Virtue of Ignorance)’ e este título alternativo já diz bem das razões porque o cinema de Alejandro González Iñarritu me irrita um bocado (só não vi o filme anterior, Biutiful, a quarta das suas longas-metragens). Mas gostei do filme essencialmente por duas razões.

A primeira é porque se trata de uma história sobre o cinema, sobre o teatro, sobre os actores. E trata estes temas de forma visceral, com um humor ácido mas desarmante, sem pudores ou falinhas mansas (ainda que verdadeiramente sem nunca se pôr a si próprio em causa, mas isso seria difícil num realizador pretensioso).

A segunda razão tem a ver com o já célebre plano sequência. À maneira de Hitchcock em The Rope, Iñarritu apresenta o filme como se fosse uma longa sequência, sem cortes e mudanças de plano. Quando é preciso meter a elipse para o tempo passar, a câmara fixa-se numa imagem e mostra isso mesmo, o tempo a passar, o dia a transformar-se em noite ou vice-versa. Naquelas cenas em que habitualmente temos o plano e o contraplano, o realizador utiliza outros recursos, como meter os dois actores no mesmo enquadramento e usar a focagem para filmar o diálogo. Claro que isto é um exercício de virtuosismo, até um bocado gratuito, mas não estraga a economia da narrativa, antes a reforça, e sempre serve para um tipo se divertir um bocado, a seguir as habilidades e as soluções utilizadas.

Voltando à história. Se o filme de Hitchcock é muito mencionado a propósito de Birdman, a história deste actor em desespero de causa, brilhantemente interpretado pelo Michael Keaton, naquele que é sem dúvida o regresso do ano, fez-me muito recordar o musical All That Jazz, do Bob Fosse, em que o Roy Scheider fazia o papel de um coreógrafo da Broadway e realizador de cinema sempre em fuga de si próprio.
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Claro que quero ver o filme embora parece mais consensual a apreciação da interpretação de Michael Keaton do que o próprio filme.
A ver vamos...um dia.

eu gostei do filme, e nem sequer sou grande fã do realizador. mas este tinha um sentido de humor muito ácido, e o trabalho da câmara é notável.

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